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      InícioCultura“Viagens” de André Carrilho voltam a Macau

      “Viagens” de André Carrilho voltam a Macau

      O ilustrador, que tem ligações ao território, traz à galeria Taipa Village Living Space parte do seu caderno de esboços impressas, pela primeira vez, em RISO, uma técnica mecânica com semelhanças à serigrafia. Carrilho afirmou ao PONTO FINAL esta é “uma oportunidade de os desenhos voltarem aos sítios onde foram feitos”.

      O ilustrador português André Carrilho está de volta a Macau para expor na galeria Taipa Village Living Space. A proposta do artista são 20 imagens originalmente pintadas a aguarela em Macau, Hong Kong, Nova Iorque, Paris, Porto e Óbidos. A inauguração da exposição “Viagens – Risografias de André Carrilho” acontece hoje, quarta-feira, pelas 17h30, ficando patente até 3 de Fevereiro.

      Ao PONTO FINAL, o autor mostrou-se satisfeito por estar de volta ao território, mesmo que não de forma pessoal. André Carrilho considera que esta “é a oportunidade de os desenhos voltarem aos sítios onde foram feitos, mesmo que eu não consiga fazê-lo”.

      A iniciativa da exposição partiu de um convite do arquitecto João Ó, responsável pelo espaço Taipa Village. O autor explicou ao nosso jornal que, pela primeira vez, os seus esboços “são impressos em RISO, uma técnica mecânica com semelhanças com a serigrafia, em edições limitadas e autenticadas” de 20 reproduções por cada imagem exposta.

      A risografia, criada no Japão nos anos de 1980 pela Riso Kagaku Corporation, é um processo de impressão através de uma máquina que usa um estêncil interno e na qual são inseridos cartuchos de tinta de diferentes cores. No início do século XXI, vários estúdios e publicadores especializados na técnica foram inaugurados no mundo, com especial destaque no mercado dos Países Baixos.

      João Ó congratulou-se por André Carrilho ter aceitado o desafio de expor numa “terra que bem conhece”, destacando a “oportunidade única” dos coleccionadores de Macau poderem adquirir uma obra do “afamado artista” a um preço “simpático”. “Estas imagens fazem parte de um corpo de trabalho com diversos anos com trabalhos pessoais e empreendimentos artísticos. É uma fantástica oportunidade para quem conhece e não conhece a obra do Carrilho de voltar a ver estes magníficos trabalhos que já tinham estado expostos durante uma das edições do Festival Literário de Macau”, enfatizou o organizador, realçando a escolha da risografia, que se traduz “numa qualidade de trabalho quase idêntica à própria aguarela”.

      O organizador referiu-se ainda ao título da exposição, lembrando que “Viagens” é “algo que temos tido dificuldade de fazer nos últimos quase três anos”. “Agora, parece que Macau está a começar a abrir de vez, mas durante esse tempo ficámos privados de viajar como fazíamos antes. E toda a gente tem o direito de poder viajar”, notou João Ó.

      André Carrilho nasceu em 1974, em Lisboa. É ilustrador, cartunista, animador e caricaturista. Galardoado com diversos prémios nacionais e internacionais, já participou em exposições colectivas e individuais em Macau, Portugal, Espanha, Brasil, França, República Checa, China ou Estados Unidos da América. O seu trabalho está publicado numa extensa lista de jornais e revistas onde se incluem The New York Times, The New Yorker, Vanity Fair, New York Magazine, Independent on Sunday, NZZ am Sonntag, Harper’s Magazine, New Statesman e Diário de Notícias.

      Em 2002, recebeu o Gold Award pela Society for News Design pelo seu portefólio de ilustração, um dos mais prestigiados prémios internacionais de ilustração. Em 2015, um dos seus cartoons sobre a epidemia do ébola tornou-se mundialmente viral e valeu-lhe o Grande Prémio no World Press Cartoon. Nesse mesmo ano, foi convidado a conceber o mural de caricaturas que decorou a famosa festa dos óscares da revista Vanity Fair.

      É autor de alguns livros para crianças como o “Senhor Mar”, de 2022, e “A Menina com os Olhos Ocupados”, de 2020, ambos com chancela da Bertrand Editora. Publicou ainda, pela editora Abysmo, “Atrito”, em 2019” e “Inércia”, em 2022, livros onde se pode ver o seu trabalho em aguarela. Em 2016, publicou “Dejá Vu” com chancela da Arranha-Céus. Participou em diversos livros com outros autores.