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      Japão, Índia, Austrália e EUA devem enfrentar recuo democrático na Ásia, diz Human Rights Watch

      Os Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália devem acordar novas medidas para enfrentar a crise de direitos humanos e o recuo democrático na Ásia, defendeu ontem a organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW).

       

      O apelo é feito no momento em que a Quad, uma aliança de segurança dos líderes dos quatro países, tem uma reunião agendada em Tóquio, no domingo. “A Quad precisa de colocar as crises humanitárias e de direitos humanos na Ásia no centro das suas discussões e decisões”, sustentou um responsável na Ásia da HRW, John Sifton.

      “Embora cada uma tenha causas e características muito diferentes, as crises de direitos humanos no Afeganistão, Myanmar [antiga Birmânia], Coreia do Norte e Sri Lanka devem estar todas no topo da agenda de segurança”, sublinhou. “Um objectivo central da aliança Quad é contrariar a crescente influência autoritária do governo chinês na Ásia. Para promover esse objetivo, o Quad precisa de promover melhor as instituições de direitos humanos, a governação democrática, e o Estado de direito a nível interno e regional”, afirmou a ONG em comunicado.

      “Os líderes da Quad devem chegar a posições comuns sobre a abordagem das principais crises de direitos humanos na região e falar publicamente sobre preocupações específicas”, acrescentou, defendendo maior pressão sobre a junta militar em Myanmar, através do “aumento das restrições às receitas em moeda estrangeira” e do apoio a “uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas impondo um embargo global de armas a Myanmar, que compra grandes quantidades de armas tanto à China como à Rússia”.

      Sobre o Afeganistão, a HRW disse que “o Japão, a Índia e a Austrália deveriam instar os EUA a chegar a um acordo com as autoridades talibãs sobre as restrições em vigor sob o Banco Central do Afeganistão e sob a assistência administrada pelo Banco Mundial em matéria de educação e saúde”, que “estão a agravar gravemente a situação económica do país e estão a conduzir a sua crise humanitária”.

      Em relação à Coreia do Norte, os líderes da Quad deveriam concordar em integrar as questões de direitos humanos nas abordagens diplomáticas e apoiar a inclusão de referências de direitos humanos em quaisquer negociações futuras com Kim Jong-un”, assim como “discutir o apoio ao Governo para oferecer assistência para enfrentar a grave deterioração da situação económica e humanitária e o novo surto de covid-19”.

      Por fim, no Sri Lanka, os quatro países devem “apoiar programas económicos, incluindo do Fundo Monetário Internacional (FMI), que procuram proteger os mais vulneráveis dos piores efeitos da crise económica, ao mesmo tempo que promovem reformas políticas para melhor proteger os direitos fundamentais e procurar justiça para abusos passados”, frisou a ONG.

      Em conclusão, pode ler-se na mesma nota, “a Quad deveria reconhecer que trabalhar para melhorar os direitos humanos das pessoas na Ásia é consistente com uma resposta ao autoritarismo do Governo chinês”, sustentou Sifton, salientando que “a segurança genuína na região depende de as pessoas na Ásia poderem exercer plenamente os seus direitos humanos fundamentais e as suas liberdades democráticas”. Lusa

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau