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      Início Opinião Destino: Tóquio

      Destino: Tóquio

      No ano passado, em Nagasáqui, o coro municipal honrou a audiência com uma impressionante rendição de “A Portuguesa”, no âmbito das celebrações do 450º aniversário do porto da cidade. Aí, em 1571, os portugueses estabeleceram uma presença permanente e um porto chave para o lucrativo comércio China-Japão.

      Mas foi décadas antes, a partir de 1543, que mercadores e missionários portugueses se tomaram nos primeiros ocidentais a chegar ao Japão (extremo sul da ilha de Tanegashima), movidos, como ditava o costume dos Descobrimentos, pelo comércio e evangelização. O comércio começou entre Malaca, China e Japão, uma vez que os astutos navegadores lusos aproveitaram o embargo comercial chinês ao Japão para agirem como intermediários entre as duas nações. Os jesuítas, esses, perseguidos numa terra tão distante da sua, viram a comunidade cristã no país do sol nascente ascender em poucas décadas a 150 mil crentes. De resto, o filme Silêncio, de Martin Scorsese, revela a sua determinação, sacrifício e suplício.

      Desde 1543 até à política de isolacionismo Sakoku, em 1614, Nagasáqui serviu como o único porto utilizado para o comércio Nanban com os portugueses e, depois, holandeses. Deste inédito intercâmbio cultural resultou a introdução de armas de fogo, a construção naval do estilo galeão e uma miríade de influências linguísticas, médicas e gastronómicas.

      As relações diplomáticas foram retomadas em 1860 e continuam até hoje, com a nossa Embaixada em Tóquio. Aqui cheguei anteontem para mais um capítulo bilateral e honrar esta longa história de amizade luso-nipónica. Isto, numa altura em que, dos dois extremos desta gigante massa que é a Eurásia, Portugal e o Japão olham para os desenvolvimentos no centro deste supercontinente com profunda tristeza e preocupação. Mais de 450 anos depois, será novamente a cooperação e o concerto entre a Europa e o Japão que moldarão a nossa perspectiva asiática e indo-pacífica.

      Cá estarei para vos dar conta.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras