A Associação da Cultura Vegetariana em Macau (ACVM) está a promover uma conversa sobre estilo de vida baseado na cultura verde para o próximo domingo, dia 12 de Setembro, das 15h às 17h, na sede do Canaan Education, situada no NAPE.
Com a moderação de Gisele Wong, presidente da ACVM, o debate, com entrada gratuita, será conduzido em inglês e aberto a todos os interessados, sendo que apenas existem 30 lugares disponíveis para participantes. O evento não terá transmissão directa, mas será gravado para posterior publicação nas redes sociais.
A tendência crescente de uma dieta baseada em vegetais e razões pelas quais muitos estão a considerar a mudança é um dos temas em discussão. “Tornei-me ovo-lacto-vegetariano aos 14 anos”, começou por dizer ao PONTO FINAL João Manuel Vicente, fundador do grupo de Facebook Vegetarians in Macau, um dos oradores do evento.
“Naquela altura, o que me fez mudar os hábitos alimentares foi participação em actos de abate e o seu insuportável horror. Os gritos de dor e terror, por longos minutos, a constatação da indiferença à dor alheia, o apagamento da empatia e da solidariedade, o especismo, a compaixão selectiva”, assumiu o também advogado.
Para João Manuel Vicente, que hoje é um “orgulhoso” vegano, os maiores desafios há 30 anos era a família “que tinha preocupação por algo quase desconhecido”, bem como o contexto do dia-a-dia, na escola, com os amigos. “A bizarria e excentricidade de não comer carne nem peixe, a pouca oferta e os preços altos, tratavam do resto.”
O advogado português mostra-se satisfeito pelo que foi conseguido nos últimos 15 anos e esperançoso em relação ao futuro. “Há uma maior noção generalizada sobre a temática. O pipocar de restaurantes, por exemplo, bem como o factor de ‘tendência social/moda’ e, ainda, a aproximação ao vegetarianismo pela via do ambiente”, refere, são algumas das razões apontadas para o ‘boom’ dos últimos anos.
O passo final para se ter tornado vegano há cinco anos deveu-se a ter tomado consciência do horror que é a produção de leite e ovos. “Há um ciclo interminável de violação, roubo das crias e morte. Ao mesmo tempo, aconteceu a necessária extracção de todas as demais consequências lógicas a partir da minha motivação originária”, explicou, assumindo que ainda existem desafios para serem devidamente “olhados em perspectiva”.
“Ter e cuidar de animais, dar-lhes ou não a comida que seja natural para eles, mesmo se for carne? E o uso de bens e produtos de vestuário de origem animal já antes possuídos? Em relação às vacinas, tomar já ou aguardar pelas veganas? E o mel? E qual a forma de luta? Um activismo efectivo, rebelde, contra-maioritário e transformador ou um mero veganismo contemporizador e acomodatício?”, são as questões em cima da mesa para debater nos próximos anos, assume João Manuel Vicente, que ainda relembra a devastação ambiental causada, não só, mas também, por um estilo de vida menos verde.
O produto animal
Aliás, veganismo e sustentabilidade, e como uma dieta baseada em vegetais pode combater a emergência climática é também um dos temas para ser conversado no evento do próximo domingo. Dicas para fazer uma dieta saudável e balanceada à base de vegetais e uma educação efectiva dos mais jovens para o problema são ainda outros pontos em agenda para discussão.
Fátima Couto Choi tem uma dieta baseada em vegetais, mas ainda não se considera 100% vegana, porque apesar de não comer qualquer produto de origem animal, “infelizmente” ainda os usa, como por exemplo “sapatos e roupas”, algo que considera “inevitável”. “Em Macau é difícil arranjar produtos e objectos veganos”, nota.
Durante a conversa, a macaense vai partilhar a sua experiência na mudança de dieta, que aconteceu “precisamente há dois anos”. “A reacção dos familiares e dos amigos quando na altura foram informados sobre esta mudança”, referiu Fátima ao nosso jornal, que ainda não sabe se vai abordar “temas polémicos e sensíveis” para veganos no domingo, apesar de estar com vontade de o fazer.
Tudo começou “pelos cães e pelos animais”, revela-nos Fátima Couto Choi. “Sofrem antes da morte e, aqui na China, os cães são cozidos ao vivo. Imagens e vídeos que vi no Facebook e no YouTube ficaram na minha memória e, a partir daí, mudei a minha dieta”, explicou. “Depois passou a ser também pela saúde e pelo ambiente, quando comecei a ler mais sobre uma dieta baseada em vegetais. A parte dos animais será sempre a parte sensível a ser discutida”, notou Fátima.
Para além de João Manuel Vicente e de Fátima Couto Choi, o evento terá ainda, como oradores, a participação de Jack Yu, representante da plataforma Green Monday, uma plataforma de estilo de vida saudável baseado na cultura verde e de promoção nas escolas, e de Simpson Lee, entusiasta vegano e activista dos direitos animais.













