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      Início Opinião Shenzhen – à descoberta do desenvolvimento estonteante do interior da China

      Shenzhen – à descoberta do desenvolvimento estonteante do interior da China

      Regressado do interior da China, atendendo à dificuldade que temos hoje em dia de nos deslocarmos a qualquer lado, alguns perguntam-me que tal foi a experiência. É certo que a nossa limitação a cerca de 44km2 (eu que dizia que Macau tinha 32km2, parece que com os sucessivos ganhos ao mar já chegámos aquele número) limita-nos horizontes, mas fiquei verdadeiramente deslumbrado com a evolução que se chegou aqui ao lado, ao ponto de não resistir partilhá-la (não é que estejamos mal em Macau, já conhecemos é os cantos à casa). Tanto mais que foi inesperado, pois contávamos ir às regiões no Norte da China, mas a situação não o permitiu e a recomendação do Governo era de que as deslocações se limitassem à província de Cantão – somos fiéis discípulos.

      A viagem começou com um inconveniente por não permitirem fazer check-in na maioria dos hotéis a quem vinha de Macau, onde tinham acabado de ser detectados o agora famoso conjunto de 4 casos – breve nota, a portadora inicial em causa pode não ter conseguido o prémio de dança que propiciou essa viagem, mas trouxe (sem qualquer culpa, embora haja, mal, quem lhes tente imputar) certamente uma surpresa para quem continua a viver num falso sentimento de segurança (que tão precário esta pequena amostra nos mostrou).

      Adiante, nada que tivesse afectado a contagiante dinâmica da cidade e que vai muito além dos dinâmicos LEDs (distintos de outras foleiradas que por aí proliferam) que se repercutem pelos edifícios como uma sinfonia luminosa – ainda estou a recuperar do pescoço atendendo ao esforço empreendido para observar todo o esplendor daquele espectáculo. Esse bom gosto (que denoto ser uma consideração subjectiva) estende-se por todo o lado nas ruas da cidade, tendo ficado especialmente marcado pelo Upper Hills, cuja visita recomendo vivamente a quem passar na região. Permita-se-me outra breve nota para o reconhecimento do investimento em Macau em desenvolver esses espaços mais joviais fora dos resorts que tinham (involuntariamente) esse monopólio – à disposição para quaisquer recomendações.

      Se em Macau ainda temos dinheiro na carteira, é impensável no interior da China sequer pagar-se com cartão. Revolve tudo em volta do telemóvel, o que pode ser um problema para estrangeiros atendendo à dificuldade em aceder a algumas das aplicações – aquelas publicidades que vi em tempos agora mostram-se úteis. O cartão de crédito do BNU (e não estou a fazer qualquer publicidade!) pode ser associado ao AliPay, além de haver uma app para os cartões da UnionPay podem – não resolve tudo, mas ajudou bastante!

      Outro aspecto impressionante prende-se com a “shared economy” – na verdade, em Portugal também já está bastante desenvolvido, situação que infelizmente não tem ainda paralelo em Macau. Em qualquer lugar que me encontrasse, as opções de deslocação eram múltiplas, desde bicicletas, transportes públicos (sendo que o QR code das apps adaptava-se ao local onde nos encontrávamos, permitindo adquirir bilhetes automaticamente) ou mesmo o famoso (ou infame actualmente, depende da perspectiva) Didi – mesmo estando tudo em língua que não domino, mostrava-se tudo na verdade tão fácil.

      Quanto à comida, há gostos para tudo, desde o mais ‘fancy’ na cúpula dos arranha-céus (com vista deslumbrante, mas nem sempre um sabor a acompanhar), até aos ‘fast-food’ chineses, que aconselho vivamente. Foi certamente a primeira vez que vi trazerem-me um ‘rice cooker’ para a mesa, mas posso garantir que foi talvez dos melhores arrozes que o meu paladar já teve a oportunidade de experimentar. Quanto à variedade Western, a oferta é imensa e de qualidade, pecando apenas por não existir um restaurante português – falta-nos saber promover uma cozinha de excelência tanto quanto difundido está o nome de Ronaldo, que logo surge quando identificamos de onde somos.

      Deixei para o final aquilo que mais me marcou – uma coexistência multicultural, que sempre associei a Hong Kong e em parte a Macau, e pois que não era incomum no passado haver uns certos olhares de estranheza (melhor dizendo, curiosidade) quando passávamos a fronteira. Esse ambiente não só dava outro alento à cidade, como senti que a mesma se alimentava disso, o que era visível por exemplo desde logo na promoção de uma vida de estilo saudável, tanto na vertente do desporto como na alimentação.

      Pelo meio, passei em Shekou, onde atracam os ferry vindos de Zhuhai (e de Macau, em tempos..) – fez-me lembrar em parte Hengqin, pois que está a conhecer uma onda de construção a um passo avassalador. Dito isto, deu-me esperança que a nossa região vizinha não se vá traduzir num projecto oco – se o milagre de Shenzhen foi possível (que até 1980 era uma pequena vila), decerto se poderá reproduzir aqui e com os benefícios da tão desejada diversificação que procuramos em Macau.

      Deixo apenas a nota, para quem eventualmente queira ir ao interior da China, que há algumas peripécias em volta dos códigos de saúde, mas nada comparado com as dificuldades que me haviam referido anteriormente (é preciso é perceber quais os códigos e onde utilizá-los). Convém desde logo subscrever um número chinês junto da vossa operadora de comunicações, que tem um custo módico e pode ser cancelado posteriormente. Abster-me-ei de comentários de outra natureza que não a lúdica que partilhei supra, mas não posso deixar de mostrar alguma pena (embora também compreenda) por não haver um maior reconhecimento pelos estrangeiros com residência em Macau a nível de facilitar a entrada no interior da China (e que existia anteriormente) – no final de contas, é tudo o mesmo sítio.

       

      José Álvares
      Advogado

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