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      Início Cultura Blissful Carrot fecha portas e foca-se no serviço de entregas e catering

      Blissful Carrot fecha portas e foca-se no serviço de entregas e catering

      O The Blissful Carrot, que existe há quase oito anos em Macau, vai fechar portas no dia 13 de Setembro, continuando operações apenas com serviço de entregas e catering. O espaço, que foi um dos primeiros estabelecimentos de comida ocidental 100% vegetariana e vegana no território, despediu-se na sua página de Facebook com um vídeo onde a proprietária Alyson Lundstrom faz um discurso emotivo a dar as novidades.

      O estabelecimento The Blissful Carrot, situado na Rua do Cunha na Vila da Taipa, anunciou ontem que irá fechar portas, embora continuando a servir como com um sistema de entregas e catering. Alyson Lundstrom, proprietária do restaurante e fundadora da Bombooch Kombucha, publicou um vídeo na página de Facebook do estabelecimento a informar os clientes que o espaço físico do Blissful Carrot irá fechar a 13 de Setembro.

      Lundstrom revela que esta situação de encerramento era inevitável e que, tal como muitos outros pequenos negócios locais, tem vindo a sofrer com a falta de turistas na cidade, principalmente numa zona tão concorrida em termos de rendas como a Vila da Taipa. “Tivemos pressões constantes que muitas pequenas empresas tiveram nos últimos 18 meses e tivemos a sorte extraordinária de termos chegado até aqui, especialmente com o tipo de clientela que fomos construindo e a localização em que estávamos”, começa por explicar ao PONTO FINAL.

      Os problemas começaram a surgir recentemente, recorda. “A nossa clientela, que foi a nossa base desde o começo, muitos deles deixaram Macau durante os últimos 18 meses e tivemos que nos reinventar, mudando a forma como abordávamos as coisas e o nosso mercado”, prosseguiu.

      O Blissful Carrot, que começou a servir principalmente turistas e expatriados, acabou por naturalmente se virar para ter interacções com as escolas locais, que acabaram por ser uma parte muito importante do negócio. “Apesar da maioria da comunidade local nos ter acompanhado e termos conseguido recuperar no início deste ano, eventualmente a economia voltou a contrair-se e as coisas começaram a abrandar, nomeadamente com o número fraco de turistas este Verão, e nem se fala no aumento da renda de 20% que tivemos de acarretar em Março de 2020 que é difícil para qualquer um, mesmo num bom ano”, lamentou.

      O estabelecimento, que mesmo no início da pandemia iniciou entrega de comida, com planos detox, entre outros, tentou inclusive levar comida a pessoas que não conseguiam chegar à Vila da Taipa, mas a situação acabou por se tornar insustentável. “Do ponto de vista económico tem sido demasiadamente difícil acompanhar o ritmo e é impossível continuarmos a aguentar com a loja”, disse ao PONTO FINAL, adiantando que a marca está a preparar-se para mudar para uma plataforma online. “Já temos uma cozinha de entrega e além disso vamos continuar nas plataformas de entrega de comida MFood e Aomi”, adiantou.

      Em termos de como o Governo poderia acompanhar mais as pequenas empresas neste clima, Lundstrom atira: “Penso que poderiam talvez informar os proprietários das Pequenas e Médias Empresas (PME) sobre que tipos de apoios estão disponíveis para eles. Vi recentemente que há muito dinheiro colocado nas PME para as ajudar, mas não sei se todas as empresas estão informadas de como o fazer ou de como se candidatar a isso”, referiu.

      No ano passado, conta a proprietária, foi “realmente útil” o subsídio, pois serviu como “empurrão” para todos, mesmo com a premissa de que os negócios teriam de manter todos os seus empregados locais para manter o dinheiro. “As coisas continuam extremamente difíceis para todos nós, mas o Governo, em geral, está a fazer o que deve fazer e está a cuidar de tudo como podem, portanto não os censuro. O que todos nós poderíamos fazer melhor como comunidade é apenas continuar realmente a apoiar as pequenas empresas de qualquer forma, porém, não posso dizer que não aconteceu porque tivemos muitas pessoas a vir apoiar-nos, a gastar o seu dinheiro, particularmente tendo em mente que estão a dar para uma boa causa, o apoio ao que é local, por isso consideramo-nos afortunados apesar de tudo”, assinala.

      Com este novo formato sem estabelecimento físico, a proprietária reitera que a maioria do menu vai estar intacto, com a exclusão de tudo o que tem de ir ao forno. “As nossas sobremesas que têm de ir ao forno vão ter de fazer uma pausa por enquanto, por isso, se as pessoas quiserem o nosso famoso bolo de cenoura, agora é a altura ideal de nos virem fazer uma visita. Até dia 13 de Setembro teremos o nosso bolo de cenoura vegan disponível, depois, infelizmente, este vai sair do menu durante uns tempos até ser determinado quando renascerá por si mesmo outra vez”.

      Para o último dia do Blissful Carrot, a 13 de Setembro, está planeada uma festa a partir das 17h. “Vai ser até a comida desaparecer e teremos todos os nossos pratos de sucesso disponíveis. As pessoas só têm de comprar uma caixa com o custo de 100 patacas que poderão encher até quando conseguirem. Teremos também bebidas e música na loja, e esperamos que o sítio encha com a comunidade, daqui até às escadas e ao parque! Este será o nosso último dia de portas abertas à comunidade”, concluiu.

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau