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      Artista lituano cria obra de arte cujo valor de venda reverte para o povo ucraniano

      Chama-se “Irmãos de Armas” a criação do lituano Tomas Upskas. Trata-se de um diorama em miniatura com alto detalhe que revela soldados russos a pilharem uma casa ucraniana bombardeada. Ao portal 15min, o artista, radicado no Reino Unido refere que não vê diferença entre soviéticos e russos, considerando ambos “estrume”. O diorama estará em leilão em breve com uma base de licitação de dois mil euros.

      O artista lituano Tomas Upskas construiu um diorama em miniatura com o tamanho de 20cm por 20cm à escala de 1:35com alto detalhe que mostra soldados russos a pilharem uma casa ucraniana bombardeada. A obra, que já se tornou viral na Internet, intitula-se “Irmãos de Armas” e já está em leilão por um preço inicial de dois mil euros (cerca de 17.300 patacas). Todo o dinheiro angariado irá ser doado para apoiar o povo ucraniano, conforme fez questão de ressalvar na sua página no Facebook.

      No trabalho final de Upskas podemos ver botijas de gás com escritos em cirílico, obras de arte cristãs nas paredes, latas de tinta, bebidas, malas de viagem, electrodomésticos, um piano, um soldado a urinar na parede destruída da casa, outro transporta consigo uma sanita. Enfim, uma panóplia de pormenores de alto detalhe que nos transportam numa realidade que não pensávamos poder existir, de facto.

      “Cada acção tem uma mensagem”, afirmou o autor ao 15min, um site de informação lituano. “Por exemplo, o homem que urina na parede à frente de uma imagem religiosa – é porque não há nada sagrado para ele”, explicou. “Ou o outro que transporta um radiador, embora haja coisas muito mais valiosas à sua volta – ele não percebe nada do assunto. Os soldados transportam coisas que só têm significado para eles. Podiam levar um quadro, vendê-lo e comprar uma centena de retretes, mas não sabem”, considera Tomas Upskas.

      Radicado em Londres, no Reino Unido, acabou por, de certa forma, antecipar que as pilhagens iam acontecer na Ucrânia. “Não é o meu primeiro diorama sobre soldados russos – tenho um sobre soldados soviéticos em Klaipėda, na Lituânia. Até agora, não vejo a diferença entre os soviéticos e os russos: sei que é uma época diferente, mas tudo o resto é o mesmo, desculpe, estrume. Quando eles se aproximaram da Ucrânia, disse imediatamente que iriam pilhar. Foi assim, nada mudou”, recordou ao 15min.

      O trabalho do lituano tornou-se viral e toda a gente tem vindo a partilhar a sua obra desde Maio, altura em que o deu como terminado. “Demora cerca de uma semana para fazer um soldado pintado”, revelou Upskas, lembrando que a ideia inicial não tinha roubo de sanita. “Nem quis acreditar quando vi relatos de roubos de sanitas em pleno século XXI. Primeiramente, idealizei o soldado russo a carregar consigo um ar-condicionado. O roubo da sanita acaba por ser, ao mesmo tempo, uma situação caricata e triste”.

      O interesse pelo trabalho tem sido grande e “ainda bem”, assume. “Quanto mais popular for o diorama, mais alto será o preço e mais dinheiro irá para os ucranianos”, num leilão que será organizado e acompanhado pela comunicação social ucraniana.

      Conforme confidenciou ao portal lituano 15min, esta sua arte “exige muita atenção aos detalhes”. “Tal como gosto. Se o diorama estivesse vazio e, digamos, não houvesse lixo no chão, por exemplo, sentiria falta, explica o artista, que confessou que a peça mais desafiadora foi piano, onde todos osornamentos são desenhados à mão. Muita gente não acredita no trabalho, falam coisas sem nexo, que havia adesivos aqui e ali, mas, agora, quando me lembro, realmente tudo isto deixou-me nervoso, porque um pequeno erro é a morte do artista”, considerou.

      Entretanto, revelou ainda o artista lituano, entre mãos tem já outros projectos, sempre relacionados com miniaturas à escala 1:35 e em formato diaporama. Um desses projectos está relacionado com o realizador lituano Mantas Kvedaravičius, autor do documentário Mariupolis (2016), morto no início de Abril enquanto recolhia imagens, precisamente em Mariupol.

      PONTO FINAL