O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, considerou ontem que deve um pedido de desculpas à Coreia do Norte pela ordem dada pelo seu antecessor de enviar drones e panfletos de propaganda para o outro lado da fronteira.
“Acho que devo pedir desculpas, mas hesito em dizer isso em voz alta”, afirmou o chefe de Estado numa conferência de imprensa que marcou o primeiro aniversário da declaração efémera da lei marcial pelo ex-presidente Yoon Suk-yeol. “Se o fizer, receio que isso possa ser usado como argumento em batalhas ideológicas ou para me acusar de ser partidário do Norte”, acrescentou.
As declarações de Lee têm como referência acusações de que Yoon terá ordenado ao Exército sul-coreano que sobrevoasse Pyongyang com drones e lançasse panfletos hostis à Coreia do Norte, com o objetivo de provocar uma resposta militar.
Uma reacção de Pyongyang poderia ter legitimado a proclamação da lei marcial por Yoon Suk-yeol, fornecendo-lhe o pretexto para uma situação de emergência nacional.
O ex-presidente deposto foi acusado pela justiça do país no mês passado de, em conjunto com outras pessoas, “conspirar para criar as condições que permitiriam declarar a lei marcial de emergência, aumentando assim o risco de um confronto armado intercoreano”, segundo o Ministério Público.
A Coreia do Norte declarou no ano passado ter provas de que o seu vizinho enviou drones para lançar panfletos de propaganda sobre a sua capital, um ato que o exército de Seul não confirmou.
Seul considera “extremamente difícil” fabricar de submarinos nucleares nos EUA
O Presidente sul-coreano declarou ontem que será “extremamente difícil” fabricar submarinos com propulsão nuclear nos Estados Unidos. “Do nosso ponto de vista, produzi-los lá é extremamente difícil, para ser realista”, afirmou o chefe de Estado, numa conferência de imprensa.
Seul e Washington finalizaram em novembro um acordo sobre a construção deste tipo de submarinos destinado à marinha sul-coreana, mas o local da construção não foi determinado. Uma nota conjunta detalhou que os dois países se comprometeram a “continuar a colaboração no domínio da construção naval através de um grupo de trabalho” específico.
Em outubro, depois de ter dado o “sim” a um acordo de princípio para a fabricação de um submarino de propulsão nuclear destinado ao aliado sul-coreano, o Presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu na rede social X e na Truth Social, da qual é proprietário, que este seria construído em Filadélfia, nos Estados Unidos.
Ontem, o Presidente sul-coreano indicou que a questão “ainda necessita de discussões”. Lee Jae-myung salientou que a posição de Seul sempre foi a de produzir os submarinos internamente. “O que pedimos não foi ‘construam-nos para nós’ ou ‘deem-nos a tecnologia'”, afirmou. “A nossa posição era simplesmente que os construiríamos com a nossa própria tecnologia, então basta autorizar o fornecimento de combustível”, acrescentou.
Lee Jae Myung afirmou também que Seul não deve tomar partido entre o Japão e a China, num momento em que as relações entre os dois países estão tensas devido à questão de Taiwan. “O Japão e a China estão em conflito, e tomar partido só agrava as tensões”, afirmou Lee numa conferência de imprensa, que marcou o primeiro aniversário da declaração efémera da lei marcial na Coreia do Sul. “A abordagem ideal consiste em coexistir, respeitar-se mutuamente e cooperar tanto quanto possível”, afirmou o chefe de Estado.
O Presidente sul-coreano também descreveu o Nordeste Asiático como “uma região muito perigosa em termos de segurança militar”.
As relações entre Pequim e Tóquio ficaram tensas desde que a nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, sugeriu no mês passado no Parlamento nipónico que o seu país poderia intervir militarmente em caso de um ataque a Taiwan. Pequim condenou com veemência as declarações de Takaichi, recomendou aos seus cidadãos que evitem viajar para o Japão e convocou o embaixador japonês país. Desde então, os incidentes diplomáticos sucedem-se, o último dos quais na terça-feira, com Tóquio a acusar a violação das suas águas territoriais por dois navios chineses ao largo das ilhas Senkaku, no mar da China Oriental.
As ilhas desabitadas, chamadas Senkaku por Tóquio — que as administra — e Diaoyu por Pequim, são um ponto constante de tensão, com os dois países a reivindicar a soberania sobre esse território de interesse económico e estratégico. Lusa











