Partidos japoneses formam coligação para resolver crise política

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O Partido Liberal Democrático (PLD) do Japão assinou ontem um acordo de coligação com o Partido da Inovação do Japão (Ishin), pondo fim à crise política que durava há semanas. A líder do PLD, Sanae Takaichi, de 64 anos, formalizou o acordo com Hirofumi Yoshimura, copresidente do Ishin, durante uma cerimónia em Tóquio, abrindo caminho para a sua nomeação como primeira mulher a chefiar o Governo japonês. “Estou ansiosa por trabalhar convosco para fortalecer a economia japonesa e tornar o Japão um país responsável para as gerações futuras”, disse Takaichi, citada pela agência Kyodo.

O PLD – força dominante na política japonesa desde 1955 – atravessava uma crise desde o colapso da sua coligação tradicional com o partido centrista Komeito, em 10 de Outubro, após 26 anos de aliança. O impasse político ameaçava a formação de um Governo depois da saída do primeiro-ministro Shigeru Ishiba, envolvido num escândalo financeiro e penalizado pela inflação persistente. Com 196 lugares na câmara baixa do Parlamento e o apoio dos 35 deputados do Ishin, a nova coligação de centro-direita garante a Takaichi maioria suficiente para ser confirmada primeira-ministra na votação parlamentar marcada para terça-feira. Os dois partidos acordaram medidas de reforma económica e fiscal, incluindo a redução do imposto sobre o consumo de alimentos de 10% para zero e a diminuição do número de lugares no Parlamento – prioridades defendidas por Yoshimura. “Acreditamos que partilhamos o mesmo objetivo de levar o Japão para a frente”, explicou o líder do Ishin, descrevendo o acordo como “um compromisso reformista e patriótico”.

A confirmação da coligação provocou uma subida de 3% na Bolsa de Tóquio, com o índice Nikkei a atingir um novo máximo histórico, impulsionado pelas expectativas de políticas fiscais expansionistas. Ex-baterista de uma banda de heavy metal nos tempos de estudante, Sanae Takaichi é uma política ultraconservadora que se inspira em Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica. No cargo, Takaichi enfrentará desafios complexos, como o envelhecimento da população, a dívida pública recorde, a inflação persistente e a necessidade de revitalizar a economia através de incentivos fiscais. A votação parlamentar de terça-feira ocorre antes da visita oficial do Presidente norte-americano, Donald Trump, prevista para o final de outubro, durante a qual as taxas alfandegárias e as relações comerciais bilaterais estarão no centro das discussões.