A Coreia do Sul expressou ontem preocupação com o envio de milhares de militares norte-coreanos para desminagem e reconstrução na região russa de Kursk, após Moscovo anunciar a reconquista do território às forças ucranianas.
“É um motivo de preocupação. Não apoiamos o destacamento de militares norte-coreanos”, declarou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) sul-coreano, sublinhando que este tipo de cooperação entre a Coreia do Norte e a Rússia “é ilegal”.
Seul instou as autoridades norte-coreanas a “pôr imediatamente termo a estas acções”. “Aceitar e contratar trabalhadores norte-coreanos no estrangeiro é uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o porta-voz. “A cooperação entre a Rússia e a Coreia do Norte deve cumprir integralmente o estipulado nestes documentos e respeitar o Direito Internacional”, acrescentou, de acordo com a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.
O porta-voz do MNE sul-coreano sublinhou também que quaisquer ligações entre estes dois países “devem manter a paz e a segurança na península da Coreia e em todo o mundo” e evitar “perigos e ameaças”.
Referia-se ao anúncio feito na terça-feira pelo chefe do Conselho de Segurança russo, Serguei Shoigu, após uma reunião com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, com quem acordou o envio de mil especialistas em desminagem e mais 5.000 trabalhadores para “restaurar as instalações e infraestruturas destruídas”.
Indicou ainda que as duas partes abordaram a possibilidade de construir monumentos em memória desta participação e dos soldados norte-coreanos que morreram a lutar “pela libertação da Rússia”.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após o desmoronamento da União Soviética – e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia contra cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com ‘drones’ (aeronaves não-tripuladas), alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.
As negociações entre as duas partes estavam completamente bloqueadas desde a primavera de 2022, até este ano se realizarem duas rondas negociais em Istambul, na Turquia, sem grandes resultados, além da troca de prisioneiros de guerra.
A Ucrânia pede aos aliados garantias sólidas de segurança, para evitar que Moscovo volte a atacar, ao passo que a Rússia quer uma Ucrânia “desmilitarizada” e que entregue os territórios que a Rússia afirma ter anexado, o que Kiev considera inaceitável. Lusa











