Myanmar regista cerca de 200 mil deslocados após terramoto do final de Março

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Cerca de 200 mil pessoas tiveram de abandonar as suas casas no Myanmar depois do sismo de 7,7 na escala de Richter, em 28 de Março, que causou mais de 3.700 mortos.

 

O sismo de 7,7 na escala de Richter, registado a 28 de Março no Myanmar e que causou mais de 3.700 mortos, levou a que cerca de 200 mil pessoas tivessem que abondar as suas casas.

Segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), pelo menos 198.600 pessoas estão deslocadas, havendo ainda a registar danos totais ou parciais em 52.000 casas, 640 unidades de saúde e 2.661 escolas nas seis regiões do centro e norte do país que foram declaradas em emergência pela junta militar que lidera Myanmar desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021.

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU (OCHA, na sigla em inglês) disse à agência espanhola Efe que, cerca de quatro semanas depois, “a população ainda está a recuperar dos persistentes impactos” do sismo.

“Muitas pessoas não têm um lugar seguro para onde regressar e dormem ao relento em abrigos improvisados, expostas à intempérie. Esta situação agrava as deslocações num país onde mais de 3,5 milhões de pessoas já tinham sido forçadas a fugir das suas casas”, referiu o OCHA.

Na mesma resposta à Efe, a ONU reiterou que a água potável e as medidas de saneamento escasseiam nas zonas afetadas, “o que aumenta os riscos para a saúde das populações já vulneráveis”, que também precisam de “abrigos de emergência, ajuda económica, alimentos e cuidados de saúde”.

O organismo multilateral destaca ainda que, em conjunto com as organizações locais, tem conseguido entregar ajuda humanitária em zonas de difícil acesso de Mandalay e Sagaing, as cidades mais afetadas pelo sismo, embora reconheça que “a magnitude e a urgência da catástrofe exigem uma ação, recursos e acessos muito maiores”.

Neste contexto, a OCHA apelou novamente à comunidade internacional para “intensificar o seu apoio durante este período difícil”, uma vez que se estima que um terço dos residentes no país, cerca de 21 milhões de pessoas, tem necessidades urgentes, algumas agravadas pelo terramoto.

Os dados actualizados esta sexta-feira pela junta militar indicam que o sismo causou a morte de 3.763 pessoas, havendo ainda a contabilizar 5.107 feridos e 110 desaparecidos.

O sismo foi registado às 06:20 (hora de Lisboa) do dia 28 de março, tendo ocorrido a uma profundidade de 10 quilómetros (km), com epicentro a cerca de 17 km de Mandalay, a segunda cidade da Birmânia, com 1,2 milhões de habitantes, e 270 km a norte da capital Naypyidaw. Lusa