Os ministros da Economia do bloco regional ASEAN comprometeram-se ontem a não impor medidas de retaliação contra os Estados Unidos em resposta à eventual aplicação de tarifas norte-americanas.
Os representantes ministeriais presentes ontem na reunião da Associação dos Países do Sudeste Asiático (ASEAN), que decorreu por videoconferência, disseram que estão prontos a dialogar com os Estados Unidos. “A ASEAN, como quinta maior economia do mundo, está profundamente preocupada com a recente introdução de tarifas unilaterais pelos Estados Unidos”, refere o comunicado dos ministros da Economia e Finanças que participaram no encontro.
O mesmo documento acrescenta que a ASEAN está preocupada com as tarifas anunciadas no dia 2 de Abril de 2025 mas também demonstraram receios quanto à última posição de Washington que suspendeu temporariamente a medida na quarta-feira. A suspensão anunciada pelos Estados Unidos não inclui a República Popular da China.
Na quarta-feira, a diplomacia de Pequim anunciou a deslocação do Presidente da República Popular da China à Malásia.
Os 10 países membros da ASEAN, incluindo a Malásia, que contam com os Estados Unidos como principal mercado de exportação, estão entre os mais afetados pelo eventual aumento dos direitos aduaneiros decidido pelo Presidente Donald Trump.
Na segunda-feira, o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, apelou aos países da ASEAN para que apresentem uma frente unida face ao aumento dos direitos aduaneiros.
Bolsa de Tóquio fecha a ganhar mais de 9% impulsionada por trégua tarifária
A bolsa de Tóquio encerrou ontem a ganhar mais de 9%, animada pela decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender durante três meses a maior parte das tarifas impostas a dezenas de parceiros comerciais. O principal índice, o Nikkei, ganhou 9,13% para 34.609 pontos no encerramento da sessão, enquanto o segundo indicador, o Topix, subiu 8,09% para 2.539,4 pontos. O índice Nikkei reflete a média não ponderada dos 225 principais valores da bolsa de Tóquio, enquanto o indicador Topix agrupa os valores das 1.600 maiores empresas cotadas.
Donald Trump anunciou na quarta-feira a suspensão por 90 dias da aplicação das taxas a mais de 75 países, enquanto decorrem negociações comerciais. O dirigente afirmou que “mais de 75 países chamaram representantes dos Estados Unidos, incluindo os Departamentos do Comércio, do Tesouro e o USTR [Escritório do Representante de Comércio dos EUA], para negociar uma solução para os assuntos que estão a ser discutidos em relação ao comércio, barreiras comerciais, tarifas, manipulação de moeda, e tarifas não monetárias”. Trump tinha anunciado, na semana passada, o agravamento das taxas sobre as importações para os Estados Unidos oriundas de 184 países e territórios.
Adesão plena de Timor-Leste a associação asiática este ano
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou ontem ter confiança de que o país vai concluir a adesão plena à Associação das Nações do Sudeste Asiático até ao final do ano, mas sem precisar uma data. “Não posso dizer em Maio, só posso dizer em 2025”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre a possibilidade de os chefes de Estado da ASEAN decidirem em maio a adesão plena do país àquela organização.
Os estados-membros da ASEAN chegaram a um acordo de princípio em novembro de 2022 para integrar Timor-Leste na organização regional, passando o país a ter estatuto de observador e a poder participar em todas as reuniões, incluindo nas cimeiras.
O Presidente timorense, José Ramos-Horta, considerou em fevereiro a possibilidade de a adesão plena de Timor-Leste à organização se concretizar em maio durante uma cimeira. “Tenho toda a confiança de que este ano entramos, não sei é quando”, explicou Xanana Gusmão.
A Presidência e o Governo de Timor-Leste decidiram apontar o ano de 2025 para a concretização da adesão plena, tendo em conta o cumprimento de um roteiro, que exige o estabelecimento de acordos e missões diplomáticas, construção de infraestruturas e preparação de recursos humanos, entre outros. Lusa











