Blinken quer reforço da aliança com Japão apesar de caso da US Steel

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US Secretary Of State Anthony Blinken (C) and US Ambassador to Japan Rahm Emanuel (R) leave after a meeting with Japan's Prime Minister Shigeru Ishiba and Chief Cabinet Secretary Yoshimasa Hayashi, in Tokyo, Japan, 07 January 2025. Blinken is in his final trip in office, traveling to Japan within the framework of progress the US-Japn alliance has made over the past few years. EPA/TAKASHI AOYAMA/POOL

O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, disse ontem esperar um reforço das relações entre o Japão e os Estados Unidos face aos “desafios globais”, apesar do diferendo em torno da empresa US Steel.

“O Japão e os Estados Unidos estão a reforçar as suas relações não só na região, mas também em termos de questões globais”, disse o secretário de Estado norte-americano, em Tóquio. “Embora haja uma transição de administração nos Estados Unidos, continuaremos a avançar de forma constante para enfrentar vários desafios”, acrescentou Blinken, no início de um almoço de trabalho com o homólogo japonês, Takeshi Iwaya.

O diplomata deverá ser substituído por Marco Rubio com a tomada de posse, a 20 de janeiro, do Presidente eleito Donald Trump.

Esta visita “mostra não só a importância, a centralidade que os Estados Unidos atribuem à nossa aliança”, disse Blinken. “Esta aliança, acredito, está realmente mais forte do que nunca”, disse o secretário de Estado, sublinhando a necessidade de coordenação face às ameaças da Coreia do Norte.

O regime de Pyongyang lançou um míssil balístico em direcção ao mar do Japão enquanto Blinken se encontrava de visita à Coreia do Sul. Iwaya reiterou que gostaria de “continuar a elevar a aliança Japão-EUA a novos patamares” e comprometeu-se a ter uma conversa abrangente com Blinken sobre o estado actual das relações bilaterais.

O encontro aconteceu um dia depois da empresa japonesa Nippon Steel e da norte-americana US Steel anunciarem uma ação na justiça contra a administração de Joe Biden por “ingerência ilegal” no projeto de aquisição da siderurgia norte-americana pelo grupo nipónico.

Num comunicado conjunto, os dois grupos indicaram que interpuseram recurso num tribunal dos Estados Unidos, considerando que Biden usou a sua influência de forma indevida para fins políticos.

Biden anunciou na sexta-feira a decisão de bloquear a compra da US Steel pela japonesa Nippon Steel por motivos de segurança nacional e para garantir que “os Estados Unidos têm uma indústria nacional de aço forte”. “Esta aquisição colocaria um dos grandes produtores de aço norte-americanos sob controlo estrangeiro e teria criado riscos para a nossa segurança nacional e para as nossas cadeias de abastecimento essenciais”, afirmou Biden, em comunicado.

O sindicato dos metalúrgicos norte-americanos tinha manifestado a sua firme oposição à fusão, uma operação avaliada em quase 15 mil milhões de dólares (14,4 mil milhões de euros), enquanto a Nippon Steel a considerava uma tábua de salvação para um sector industrial em dificuldades.

O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, com quem Blinken deverá reunir-se na terça-feira, pediu a Washington que explicasse os riscos para a “segurança nacional” que levaram Biden a rejeitar a operação, de forma a “dissipar as preocupações” dos industriais japoneses.