Sam Hou Fai foi questionado sobre a sua falta de experiência em matéria de desenvolvimento económico, mas rejeitou que esse facto vá afectar a sua governação. O Chefe do Executivo deu uma entrevista exclusiva à CCTV e salientou que ser governante da RAEM não é ser especialista em economia, pelo que está confiante em “liderar Macau para um melhor desenvolvimento”. Sam revelou ainda o plano de rever o Código do Procedimento Administrativo.
O líder da RAEM deve ter uma visão macro da sociedade e não é necessário ser um especialista em economia, defendeu Sam Hou Fai, Chefe do Executivo indigitado, ao descartar a preocupação sobre a falta da experiência profissional na área da economia.
“As exigências para o cargo de Chefe do Executivo e a implementação e promoção das políticas económicas são duas coisas diferentes. A responsabilidade do Chefe do Executivo é liderar o Governo, pelo que o papel do Chefe do Executivo não é o de perito em economia, e um perito puramente económico não serve”, assinalou Sam Hou Fai, numa entrevista exclusiva à CCTV, rede de televisão estatal da China.
Nesta entrevista de quase 40 minutos, Sam Hou Fai salientou que o governante da RAEM tem de ter uma visão alargada para compreender e dominar as várias áreas da sociedade de Macau. “Eu vou trabalhar com a minha equipa de governação e com todos os sectores da comunidade para pensar e discutir em conjunto [o trabalho]”, frisou.
Uma das prioridades do programa político de Sam Hou Fai é a diversificação da economia, que é também um caminho de desenvolvimento para Macau exigido por Pequim. Ao contrário dos três antecessores, Sam Hou Fai, antigo presidente do Tribunal da Última Instância (TUI), não tem contexto familiar e profissional no ramo comercial. Nesse sentido, na época pós-pandemia em que muitos residentes se queixam da persistente recessão da economia, surgiram preocupações sobre o desenvolvimento económico do território nos próximos cinco anos.
Sam Hou Fai acrescentou que o tribunal é uma “pequena sociedade que sabe tudo”, pelo que não está preocupado com a sua capacidade de liderar o Governo. Salientou ainda que está a manter comunicação estreita com Ho Iat Seng e com a sua equipa em termos de transição, assegurando que os trabalhos estão a “correr muito bem”.
Além disso, o Chefe do Executivo eleito afirmou que “é necessário” rever e alterar o Código do Procedimento Administrativo, que entrou em vigor há cerca de 30 anos e “está desactualizado”, “se não vai obstruir o desenvolvimento económico e social”, justificou.
“PRUDENTE NAS PALAVRAS”
Na entrevista, Sam Hou Fai também confessou que estava “apreensivo” em relação à mudança para o cargo de Chefe do Executivo. Foi presidente do TUI durante quase 25 anos, Sam disse que seguiu sempre dois códigos de conduta de que não dever fazer comentários sobre assuntos sociais nem participar em quaisquer actividades de natureza política.
Sam admitiu ainda que tinha medo de falar com os meios de comunicação social. “A minha maior preocupação era que, quando estivesse perante a imprensa, me fizessem de repente uma pergunta e eu não seria capaz de responder, [com] a minha mente vazia. Assim, imaginava que estava no tribunal, depois deixava a minha mente responder à pergunta. Aproveito este método para controlar as minhas emoções”, indicou.
Alertando para a necessidade de ser prudente nas palavras, Sam considera que, caso contrário, seria fácil enganar a comunidade e causar controvérsia e até afectar a estabilidade social.
A entrevista da CCTV assinalou também que Sam Hou Fai é o primeiro Chefe do Executivo que não nasceu em Macau, mas uma “pessoa comum que vem de uma aldeia rural de Zhongshan”. Desse modo, Sam lembrou que chegou a Macau em 1986 e desde então trabalhou muito para contribuir para os trabalhos de transferência da soberania de Macau, nomeadamente na “recuperação” do poder judicial quando todos os juízes eram portugueses.
Sam Hou Fai recordou ainda que foi ele próprio que julgou o caso de Ho Chio Meng, apesar de o ex-Procurador-Geral de Macau ser contra, por terem sido colegas. O Chefe do Executivo eleito afirmou que “seguiu o caminho certo”, tendo a “consciência tranquila” e tratado o caso de acordo com a lei.











