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      Painel sobre poesia de W.H. Auden reflecte sobre fronteiras entre lei e liberdade  

       

      No sábado passado às 16h, o Festival Literário contou com a presença do professor Glenn Timmermans e o jurista e professor de direito Paulo Cardinal. Estes estiveram à conversa sobre a obra do autor anglo-americano W.H.Auden, numa reflexão sobre o seu legado e as questões humanísticas que continuam, na óptica dos palestrantes, a terem uma enorme importância. Intitulada “A Demanda por Justiça de um Poeta e as suas impressões sobre Macau e Hong Kong”, a palestra marcou o 50.º aniversário da sua morte, a 29 de Setembro de 1973.

      Destacando-o como um dos grandes autores britânicos ao lado de Yeats, Glenn Timmermans recordou o interesse que este tinha pelas questões de direitos humanos e também dos animais, o que para a sua época era invulgar, e viria a anteceder o movimento dos direitos dos animais, destacou.

      Paulo Cardinal falou de Auden e dos tempos em que viajou por esta zona do mundo, na altura da invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. “Law like Love” e “Unknown Citizen” são alguns poemas que o professor de Direito gosta de dar aos seus alunos para que estes compreendam certos temas como o da desumanização do indivíduo, referiu. Destacou igualmente um ensaio escrito em 1947 sobre liberdade e escolhas individuais que Auden escreveu para a UNESCO, que na altura da formação da organização serviu como referência.

      Depois da leitura dos dois poemas supramencionados, e de “Refugee Blues”, os dois académicos abordaram outras temáticas relacionadas com os direitos humanos, desde a Alemanha Nazi à condição dos refugiados que perdem o direito a passaporte quando se tornam exilados. Referindo-se à estadia na China, Glenn Timmermans recordou um dos poemas escritos sobre um soldado chinês morto e que cujo nome não será lembrado, destacando a questão dos “cidadãos desconhecidos” em que indivíduos passam a ser vistos apenas como números. Foram também lidos poemas referindo Macau, de 1939, em que coexistem bordeis, casas de jogo, igrejas e santos e onde “nada de sério se passará”, uma passagem que suscitou risos da plateia. Paulo Cardinal quis estabelecer um paralelo, sublinhando o contraste com o poema dedicado a Hong Kong, onde havia comércio, e o formalismo do império britânico, momentos antes da antiga colónia britânica ser invadida pelos japoneses.