Coreias criticam descarga de água de Fukushima aprovada pela AIEA

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epa10733863 Members of civic groups take part in a rally against the International Atomic Energy Agency's (IAEA) report on Japan's disposal of Fukushima radioactive water, outside the Foreign Affairs Ministry in Seoul, South Korea, 08 July 2023. IAEA director general arrived in Seoul to discuss the IAEA's recently released report on Japan's plan to discharge treated radioactive water from a damaged nuclear power plant in Fukushima. EPA/JEON HEON-KYUN

A Coreia do Norte criticou a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) por dar luz verde ao plano do Japão para descarregar água tratada da central nuclear de Fukushima. Manifestantes em Seul também contestaram descarga de água de Fukushima.

 

Num comunicado de imprensa do Ministério da Protecção Ambiental, Pyongyang considerou irracional o comportamento da AIEA, afirmando que “apoia e facilita activamente a descarga projetada pelo Japão de água poluída por energia nuclear”, o que é “inimaginável”.

A descarga de água terá “um impacto negativo fatal sobre a vida humana, a segurança e o ambiente ecológico”, considerou o regime norte-coreano.

O plano, que deverá iniciar-se este ano, suscitou inquietação nos vizinhos do Japão, levando a China a interditar algumas exportações alimentares e dando origem a manifestações no sábado na Coreia do Sul, em plena visita do diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi.

Os deputados da oposição sul-coreana mobilizaram-se igualmente contra o plano de Tóquio, com alguns a encetarem mesmo uma greve de fome.

O organismo de controlo nuclear das Nações Unidas aprovou o plano do Governo japonês para se livrar – após tratamento e diluição – de cerca de 1,33 milhões de toneladas de água contaminada, armazenada num local da central que em breve ficará saturado. A central nuclear foi devastada por um acidente provocado por um sismo e consequente tsunami em 2011.

A AIEA considerou que o projecto “satisfaz as normas internacionais de segurança” e que terá um impacto “insignificante na população e no meio ambiente”.

O chefe da Agência Internacional de Energia Atómica reuniu-se também com o chefe da diplomacia sul-coreana em Seul, onde centenas de manifestantes contestaram o plano japonês de libertar no mar água tratada da central de Fukushima.

Rafael Grossi, líder da AIEA, chegou na sexta-feira à capital sul-coreana após ter estado no Japão onde a agência deu ‘luz verde’ ao controverso plano de Tóquio para descarregar no oceano as águas da central nuclear que sofreu um acidente em 2011.

Manifestantes concentraram-se no centro de Seul para denunciar a análise, que consideram “insuficiente” da AIEA, na altura em que Grossi se reunia com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Park Jin. Foram exibidos cartazes a criticar a AIEA, acusando-a de ter feito o relatório “sob influência do Japão”.

Grossi defendeu-se das críticas alegando que houve um processo de aprovação “muito minucioso” na agência. “Este é o relatório final completo (…). Nenhum perito me disse que discordava do conteúdo”, disse em entrevista à agência noticiosa sul-coreana Yonhap. “Foi um processo muito minucioso”, acrescentou.

Deputados da oposição sul-coreana também se mobilizaram contra o plano de Tóquio e alguns iniciaram uma greve de fome. Grossi deverá encontrar-se com membros da oposição no domingo.

A Coreia do Sul afirmou respeitar a decisão da agência apesar dos protestos crescentes no país. Na sexta-feira, o Governo sul-coreano afirmou que o plano do Japão para libertar no mar a água tratada da central nuclear de Fukushima cumpre as normas internacionais, desde que executado como planeado.