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      InícioÁsiaSri Lanka: Crise económica torna país dependente de Rússia, Índia e China

      Sri Lanka: Crise económica torna país dependente de Rússia, Índia e China

      Mergulhado numa grave crise política, social e económica, o Sri Lanka ficou refém dos seus aliados políticos mais próximos – Rússia, Índia e China – que prometeram um auxílio que Colombo sabe que vai ter de compensar.

       

      Há uma semana, o ex-Presidente Gotabaya Rajapaksa pediu à Rússia ajuda no acesso a combustíveis, para atenuar o impacto de uma crise económica que já tinha levado o Governo do Sri Lanka a paralisar os transportes públicos e a decretar cortes de energia repetidos.

      Numa conversa telefónica com o Presidente russo, Vladimir Putin, Rajapaksa pediu ainda “humildemente” que fossem retomados os voos turísticos entre Moscovo e Colombo, numa demonstração de “desespero político”, como o gesto foi classificado pela oposição cingalesa.

      Na verdade, o Sri Lanka está muito dependente do turismo e grande parte dos visitantes são oriundos da Ucrânia e da Rússia, pelo que é importante para o regime cingalês o regresso dos russos, após a pausa na atividade turística provocada pela pandemia de covid-19.

      Por outro lado, com o pedido de acesso ao petróleo russo, o Governo do ex-Presidente do Sri Lanka – que entretanto renunciou ao cargo, vítima de fortes protestos populares – não escondeu que está disponível para romper o embargo decretado pelos Estados Unidos e pela União Europeia aos combustíveis exportados por Moscovo, num gesto de apoio ao regime de Putin.

      O registo da conversa foi apenas revelado pela Presidência do Sri Lanka, e o Kremlin não a comentou, mas a Rússia precisa neste momento de toda a ajuda diplomática externa para resistir ao cerco do Ocidente à invasão da Ucrânia.

      Nos palcos das organizações internacionais, como as Nações Unidas, um qualquer voto a favor de Moscovo ou uma ausência de crítica à “operação militar especial” russa na Ucrânia pode ser útil, e a posição de fragilidade em que se colocou o Sri Lanka será aproveitada.

      Financeiramente, o Sri Lanka já estava muito dependente de empréstimos externos, sobretudo da Índia e da China, que, ainda assim, não impediram que o país entrasse em ‘default’ técnico e tenha uma dívida externa superior a 50 mil milhões de euros, que os analistas já consideraram “impagável”.

      Em Fevereiro, ao abrigo da sua política de “Os vizinhos em primeiro lugar”, a Índia deu mais 500 milhões de euros num empréstimo de curto prazo, para somar a mais de 2.500 milhões de euros em empréstimos de longo prazo.“Na verdade, o Governo do Sri Lanka sabe que se trata de uma ‘armadilha de dívida’. O país entrou numa espiral de inflação e de recessão, de que não vai conseguir sair”, explicou à Lusa Samantha Phul, investigadora da Observer Research Foundation e consultora do Instituto de Crescimento Económico de Nova Deli.

      Para vários analistas, China, Índia e Rússia estão a apertar o cerco ao Sri Lanka, aumentando o seu grau de dependência económica, tornando a ilha mais vulnerável a futuras chantagens políticas. Ao mesmo tempo, defendeu Phul, a Índia e a China sabem que um clima de instabilidade política no Sri Lanka pode ter repercussões nos seus regimes, o que ajuda a explicar que, neste momento, façam tudo para que o Governo cingalês não desabe. “O cerco está a apertar-se. E a Rússia oportunamente juntou-se a esta estratégia de manter pressão, sem deixar que as revoltas populares estrangulem um regime que contraiu dívidas”, concluiu a investigadora.

      Quando o Governo do Sri Lanka decretou o embargo à importação de fertilizantes do estrangeiro – para tentar conter a dívida externa – a Índia doou 100 toneladas de nitrogénio líquido, para tentar salvar as debilitadas plantações de café e de chá, dois produtos essenciais para a balança comercial daquela ilha.

      A China também já anunciou a abertura de linhas de crédito de valores que não foram oficialmente anunciados, mas que analistas estimam que possa ultrapassar os 10.000 milhões de euros, a que Pequim juntou ajuda humanitária para atender a uma situação de grave crise económica.

      CAIXA

      Manifestantes deixam edifícios ocupados e Presidente parte para Singapura

      Os manifestantes que ocuparam nos últimos dias prédios públicos no Sri Lanka anunciaram ontem a sua retirada, mas prometeram continuar a pressionar o Presidente cingalês, que não formalizou a sua renúncia, e o primeiro-ministro do país. “Nós estamos a sair pacificamente do palácio presidencial, da secretaria presidencial e dos escritórios do primeiro-ministro com efeito imediato, mas continuaremos a nossa luta”, disse uma porta-voz dos manifestantes. Horas antes do anúncio da retirada, a polícia repeliu manifestantes que tentavam entrar no Parlamento do país.

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau