A Coreia do Norte mobilizou “meios especiais” contra a Coreia do Sul, onde estão destacados aproximadamente 28.500 soldados dos Estados Unidos, disse o líder norte-coreano Kim Jong-un, citado ontem pela imprensa estatal.
De acordo com a agência noticiosa oficial da Coreia do Norte, a KCNA, a revelação aconteceu no sábado, num discurso proferido na abertura de uma exposição de armas em Pyongyang, mas Kim não divulgou detalhes sobre os “meios especiais”.
“A aliança nuclear entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul está a progredir rapidamente, e estão a conduzir vários tipos de exercícios para testar cenários perigosos”, disse o líder norte-coreano. “À medida que os militares norte-americanos reforçam o seu arsenal na região da Coreia do Sul, as nossas preocupações estratégicas com esta região também se intensificam e, por conseguinte, alocamos os nossos recursos especiais a alvos-chave”, disse Kim.
O líder da Coreia do Norte garantiu que estava a “acompanhar de perto” os desenvolvimentos militares do outro lado da fronteira. “O inimigo (…) terá de se preocupar com as mudanças no seu ambiente de segurança”, afirmou.
Fotos divulgadas pela KCNA mostram Kim a caminhar em frente a armas, incluindo um míssil, rodeado por generais norte-coreanos num centro de exposições.
Em 22 de setembro, o líder norte-coreano declarou-se disposto a retomar o diálogo com os Estados Unidos se estes deixarem de exigir que Pyongyang abandone o programa de armas nucleares. “Se os Estados Unidos abandonarem a sua obsessão delirante pela desnuclearização e, reconhecendo a realidade, desejarem verdadeiramente coexistir pacificamente connosco, então não há razão para que não possamos sentar-nos à mesa com eles”, afirmou Kim. “Tenho boas recordações do actual Presidente norte-americano, Donald Trump”, acrescentou.
A Coreia do Norte realizou seis testes nucleares entre 2006 e 2017 e, desde então, continuou a desenvolver o seu arsenal, apesar das pesadas sanções internacionais. Pyongyang justifica o seu programa nuclear militar com as ameaças de que afirma ser alvo por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados, entre os quais a Coreia do Sul. Em Janeiro, Kim Jong-un afirmou que tal programa prosseguiria “indefinidamente”.
Donald Trump, que teve uma rara série de encontros com Kim durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021), mostrou-se disposto, desde que regressou ao poder, em janeiro deste ano, a retomar o contacto com o líder norte-coreano, a quem descreveu como “um tipo inteligente”. Os dois homens reuniram-se pela primeira vez numa cimeira histórica em junho de 2018, em Singapura; pela segunda vez em Hanói, no Vietname, em fevereiro de 2019; e, pela última vez, na fronteira entre as duas Coreias, em junho de 2019. Tais encontros não resultaram em qualquer avanço em relação a uma possível desnuclearização da Coreia do Norte.
Seul pede a Pyongyang que facilite contacto entre famílias separadas pela guerra
O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, pediu às autoridades norte-coreanas que facilitem o contacto entre as famílias que ainda continuam separadas após a Guerra da Coreia, que terminou com o armistício de 1953. “Quero que as autoridades norte-coreanas analisem e considerem esta possibilidade por razões humanitárias”, afirmou o Presidente sul-coreano, citado pela agência de notícias sul-coreana Yonhap.
Lee, que tenta contactar com Pyongyang desde que assumiu o cargo em junho, enfatizou a importância de as famílias poderem confirmar se os seus familiares ainda estão vivos e, em última análise, enviar e receber cartas. “Eu acredito que esta é uma responsabilidade política tanto da Coreia do Sul como da Coreia do Norte”, afirmou durante um encontro com cidadãos que fugiram para a Coreia do Sul durante a guerra.
O Presidente sul-coreano chegou mesmo a colocar a possibilidade de permitir que estas famílias “vivam juntas”. “Sinto uma certa culpa porque acredito que esta situação se perpetuou pela falta de ação por parte dos políticos”, lamentou.
Os dois países permanecem tecnicamente em guerra e, desde então, não assinaram um tratado de paz. A fronteira entre as duas Coreias continua completamente encerrada e não há contacto direto — nem mesmo por telefone ou e-mail — entre os residentes dos dois lados.
No entanto, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, continua a ver a Coreia do Sul como uma ameaça e descreveu as relações entre os dois lados como hostis. Insiste ainda em negar qualquer possibilidade de uma desnuclearização face a uma “aliança de inimigos” que procura cercar o país. Lusa











