As mortes provocadas pelos conflitos no Myanmar aumentaram 87% em 2022 em relação ao ano anterior, segundo um relatório anual publicado ontem pelo Instituto para a Economia e Paz (IEP).
O número de incidentes derivados dos conflitos cresceu 36% em 2022, em relação ao ano passado, acrescenta-se no relatório do ‘think tank’ baseado na Austrália, que inclui a Birmânia (Myanmar) entre os países onde os níveis de hostilidades mais aumentaram, juntamente com a Ucrânia, Etiópia, Israel e África do Sul.
Em relação ao Myanmar, mergulhado no caos após o golpe de 1 de Fevereiro de 2021, o IEP indicou que os protestos violentos diminuíram 67% em 2022 em relação ao ano anterior, à medida que a resistência ao regime militar se organiza e se militariza.
Uma das diferenças essenciais no conflito tradicional no Myanmar, onde numerosos guerrilheiros de minorias étnicas lutam há décadas contra o Exército (Tatmadaw), é que os novos confrontos ocorrem em áreas dominadas pelos bramás, etnia maioritária no país, como na região de Sagaing, acrescentou o relatório.
Outros estudos e analistas apontaram Sagaing como o epicentro da actual luta entre o Exército e as Forças de Defesa do Povo (FDP), formadas em grande parte por jovens sem experiência em combate após o golpe e que actuam como o braço armado do Governo de Unidade Nacional (GUN), que se autodenomina a autoridade legítima de Myanmar.
O Instituto para a Economia e Paz (IEP), que tem sua sede em Sydney, enfatizou que a junta militar birmanesa está cada vez mais isolada diplomaticamente e que, para compensar isso, busca fortalecer os laços com a China e a Rússia, um país que afirma ter aumentado “significativamente” as exportações de armas para o Myanmar desde a revolta militar.
O relator da ONU para os direitos humanos em Myanmar, Tom Andrews, alertou na semana passada, em Jacarta, que a crise birmanesa “tornou-se invisível para grande parte do mundo” e lembrou que desde o golpe militar mais de 3.600 civis morreram nas mãos das autoridades, há 19.000 presos políticos e mais de 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas.
O relatório do IEP também alertou ontem que as mortes em conflitos no ano passado globalmente foram os mais altos do século – devido principalmente à Ucrânia e à Etiópia – e que as mortes em guerras aumentaram 96% em relação a 2021, com 238.000 mortes.











