A junta militar no poder em Myanmar suspendeu a distribuição de ajuda humanitária nas zonas que foram afectadas em Maio deste ano pelo ciclone Mocha, decisão considerada ontem pelas Nações Unidas como “incompreensível”. Trata-se de uma decisão “incompreensível” por poder levar a um aumento da insegurança alimentar e a surtos epidémicos, referiu o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU, em comunicado.
As pessoas afectadas pelo ciclone, que atingiu em maio o estado ocidental de Rakhine, a zona habitada pela minoria rohingya, “deixaram de receber alimentos, água potável, materiais para alojamento temporário e outras ajudas”, afirmou numa conferência de imprensa, em Genebra, o porta-voz do gabinete da ONU, Jens Laerke. “Esta decisão é um enorme revés para mais de um milhão de pessoas que queríamos ajudar em Rakhine nos próximos meses”, salientou o porta-voz.
Desde que o Mocha atingiu a região, em meados de maio deste ano, os trabalhadores humanitários têm prestado ajuda a cerca de 300.000 pessoas, tendo obtido acesso à zona com base em autorizações das autoridades que “deixaram de ser prorrogadas” por serem necessários mais controlos para as emitir, esclareceu o gabinete da ONU.
A ajuda ao estado de Chin, localizado a oeste e na fronteira com o Bangladesh e a Índia, foi igualmente interrompida devido à não prorrogação das autorizações. Além disso, esta agência da ONU apelou às autoridades para que “reconsiderem a decisão e restabeleçam a aprovação inicial” para a distribuição de ajuda humanitária.











