O desfile, realizado na madrugada de quarta para quinta-feira, ocorreu quando o país está a enfrentar a pior crise económica dos últimos 25 anos por conta da pandemia do novo coronavírus. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, presidiu o desfile, embora durante o evento não tenha feito nenhum discurso, segundo noticiaram os meios de comunicação estatais estatal.
Quem discursou foi Ri Il-hwan, membro do comité central do Partido dos Trabalhadores, que insistiu que o país investirá no aumento de seu exército até “transformar todo o país numa fortaleza”.
Como fez no desfile do 75.º aniversário do partido único do país, realizado em Outubro passado, Kim optou por um terno claro e gravata em vez de roupas estilo Mao [Tsé-Tung, ex-líder comunista chinês]. Mas essa foi uma das poucas semelhanças com o evento do outono passado, no qual o regime estreou o seu maior míssil balístico intercontinental (ICBM) projectado até agora.
Ladeado pelos outros quatro membros fortes do partido único norte-coreano [incluindo o militar Pak Jong-chon, nomeado nesta semana membro do núcleo duro do partido], Kim viu ontem as tropas desfilarem pela Praça Kim Il-sung, em Pyongyang.
A Coreia do Norte tem no momento propostas de diálogo sobre a mesa – às quais parece não terem respondido até ao momento – por parte da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que propuseram ao regime norte-coreano se reunirem para tentar retomar as negociações de desnuclearização da península coreana, que estão estagnadas desde 2019. No entanto, pouco se sabe sobre a atual disposição do regime sobre a questão.
Sobre a crise económica, Kim Jong-un reconheceu aos seus cidadãos que o país atravessa tempos difíceis e deve enfrentar uma nova “marcha árdua”, termo utilizado pelo regime na terrível fome dos anos 90.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) explicou recentemente que a Coreia do Norte, que já se recusou a receber quase dois milhões de doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca, acaba de rejeitar mais três milhões de doses do laboratório estatal chinês Sinovac. Diante deste cenário, o país ainda não imunizou nenhum dos seus cidadãos contra a covid-19.
Desde que a China decidiu isolar a cidade de Wuhan em Janeiro de 2020, a Coreia do Norte, que ontem afirmou não ter detectado nenhum positivo do SARS-CoV-2 após realizar cerca de 38.000 testes, encerrou fortemente as suas fronteiras e até reforçou a segurança com arame farpado extra e ordens para atirar em quem se aproxima. A teimosia em manter o território vedado tem impedido a entrada de capitais estrangeiros na forma de investimentos ou receitas do turismo e também de importações vitais para um país que depende fortemente da produção chinesa, cujo sector agrícola foi atingido por tufões e ondas de calor no ano passado.











