Sri Lanka: Manifestantes marcaram 100 dias desde o início dos protestos

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epa10074757 People light candles in memory of the protesters who were allegedly killed or wounded during the months-long protests and clashes against the economic crisis, near the Presidential Secretariat in Colombo, Sri Lanka, 16 July 2022. The Parliament of Sri Lanka accepted the resignation of President Gotabaya Rajapaksa after he fled to Singapore through the Maldives following months of anti-government protests fueled by the ongoing economic crisis. Protests have been rocking the country for over four months as Sri Lanka faces its worst-ever economic crisis in decades due to the lack of foreign reserves, resulting in severe shortages in food, fuel, medicine, and imported goods. EPA/CHAMILA KARUNARATHNE

Os manifestantes anti-Governo do Sri Lanka fizeram uma vigília na noite de sábado em memória daqueles que perderam as suas vidas durante os protestos que completaram ontem 100 dias e que levaram à fuga do Presidente do país.

Embora os primeiros protestos tenham começado no final de março, quando a ilha sofreu cortes diários de energia com duração de mais de treze horas, não foi antes de 09 de abril que milhares de pessoas começaram a ocupar o Galle Face Park, em frente à secretaria presidencial em Colombo, exigindo a renúncia do chefe de Estado, Gotabaya Rajapaksa.

Barracas, casas de banho portáteis e todo o tipo de instalações foram colocadas no parque, que se tornou o epicentro da luta dos manifestantes contra o poder governamental.

Cem dias depois e apesar de os protestos já terem alcançado o seu principal objectivo, provocar a demissão de Rajapaksa, o local continua a atrair diariamente milhares de manifestantes que agora anseiam pela demissão do Presidente interino, Ranil Wickremesinghe.

“Dissemos (…) que expulsaríamos Gotabaya Rajapaksa antes do 100º dia. Nós conseguimos isso. Nós ganhamos muito durante esses 100 dias. Continuaremos a nossa luta”, disse Manodhya Jayaratne, um dos manifestantes, à agência de notícias EFE. “Agora estamos a dizer que vamos nos livrar de Ranil antes do 150º dia”, acrescentou Jayaratne.

O caminho para conseguir a renúncia do Presidente foi nomeadamente pacífico, embora a ilha também tenha experimentado alguns dias especialmente violentos durante esses cem dias.

Desde a origem dos protestos, pelo menos nove pessoas morreram. Oito destas mortes ocorreram em 09 de maio, quando um confronto entre apoiantes e opositores do Governo desencadeou conflitos em todo o país, que resultaram também em mais de 200 feridos.

Dois meses depois, em 9 de Julho, centenas de manifestantes invadiram as residências oficiais de Rajapaksa e Wickremesinghe, forçando o Presidente a fugir do país para as Maldivas e a anunciar a sua renúncia na sexta-feira em Singapura. Wickremesinghe, que também havia declarado a sua intenção de renunciar ao cargo de primeiro-ministro, abandonou esta possibilidade depois de ser nomeado por Rajapaksa como Presidente interino.

Agora, no papel de Presidente interino até a eleição de um novo chefe de Estado em 20 de Julho – cargo que será ocupado por um deputado eleito pelo parlamento para cumprir o mandato de Rajapaksa -, Wickremesinghe tornou-se o foco de protestos em massa.

A actual crise política no Sri Lanka é consequência do desastre económico do país, que vive actualmente a pior situação de sua história desde a independência do Império Britânico em 1948.

PROTESTO EM SINGAPURA CONTRA ESTADIA DO EX-PRESIDENTE MOBILIZA APENAS UMA PESSOA

Um protesto em Singapura contra a estadia na ilha do ex-Presidente do Sri Lanka, que fugiu quarta-feira daquele país após meses de protestos, mobilizou apenas uma pessoa na cidade-Estado asiática. “Achei que alguém devia falar sobre isto, sobre a mensagem que estamos a enviar ao resto do mundo e à comunidade internacional tendo aqui o Sr. Gotabaya Rajapaka”, disse Prabu Ramachandran, um antigo candidato do partido da oposição Peoples Voice, de acordo com o diário Straits Times.

Prabu apelou a um protesto nas redes sociais no sábado contra a chegada de Rajapaksa a Singapura na quinta-feira, proveniente das Maldivas, após fugir do Sri Lanka, mas apenas uma pessoa apareceu para o ouvir, enquanto cerca de duas dezenas acompanharam o evento transmitido ‘online’ pelo jovem de 34 anos. “Não o queremos. Ele é uma pessoa controversa politicamente. Ao contrário do que tem sido dito, ele não é apenas mais um cingalês. Por que o acolhemos?”, perguntou Prabu, que agora trabalha na área das finanças na próspera ilha.

A chegada de Rajapaksa a Singapura, hospedado num hotel com a mulher e guarda-costas, tem recebido pouca cobertura na imprensa local da ilha, que é alvo de forte censura pelas autoridades do país, governado pelo Partido da Ação Popular desde a independência da Malásia em 1965.

A polícia avisou na quinta-feira, pouco depois de Rajapaksa aterrar em Singapura num voo saudita das Maldivas, que aqueles que participassem em “manifestações ilegais” enfrentariam um processo judicial. Singapura assegurou que Rajapaksa não procurou “asilo político nem que este lhe foi concedido”, embora não se saiba quanto tempo ficará na cidade-Estado de 5,7 milhões de pessoas.