Leitores em construção

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Gonçalo Viana
Pirilampo
Orfeu Negro

Henrique Coser Moreira
Nuvens sobre nossas cabeças, areia sob nossos pés
Planeta Tangerina

 

Isadora Vilelas e Cristiana Rodrigues
O Que Há no Topo da Montanha
Livros Horizonte

Löic Le Gall e Karine Maincent
História da Escrita
Nuvem de Letras
Tradução de Ana Rita Mendes


O primeiro policial

Esta é a estreia de Joana Estrela num registo pouco habitual entre os livros pensados para leitores mais novos. O género policial não estará entre os mais frequentes quando se visita esta secção das livrarias, muito menos com a subtileza, o humor e a atenção ao contexto que a autora aqui demonstra, e este livro é mesmo um policial, com todos os ingredientes que o género exige. É também, e ao contrário do que tem sido habitual nos trabalhos da autora (que mais frequentemente coloca texto e imagem numa imbricada relação para a produção de sentidos), uma narrativa ilustrada, ou seja, um texto longo que vai sendo pontuado por imagens sem que haja uma dependência absoluta e cuja leitura nos permite acompanhar o deslindar de um crime que acontece na escola dos protagonistas – logo transformados em dedicados detectives – , Nora, Diogo e Rute.

Cumprindo as regras de um policial, o culpado é alguém que nos é apresentado ao longo do texto. Cumprindo as regras do bom suspense, e respeitando a inteligência dos leitores, não é um culpado óbvio. Aliás, Joana Estrela manipula com esmero as nossas expectativas ao longo da narrativa, criando possibilidades e fazendo-as ruir enquanto vai erguendo um universo escolar onde os leitores mais novos se reconhecerão e que os mais velhos ainda saberão como era. Nesse universo, as relações afectivas, o espaço partilhado por estudantes, professores e funcionários e as muitas aprendizagens que acontecem fora da sala de aulas têm um papel de destaque,na narrativa, sim, mas também numa projecção do que pode e deve ser a escola. Se os mais novos ainda não se estrearam no registo policial, esse género que quase sempre reflecte de um modo muito particular a sociedade que o cria, têm aqui um excelente ponto de partida.

Joana Estrela
O Assalto na Escola
Planeta Tangerina


 

Os mitos que somos

É possível percorrer o território português distinguindo regiões a partir das lendas que foram dando forma à mitologia particular de cada espaço. Neste livro, com texto de Samuel F. Pimenta e ilustrações de Helena Morais Soares, esse percurso faz-se com a descrição de dezenas de lendas e mitos que explicam, justificam ou dão sentido à constituição de unidades geográficas mais ou menos coesas. Por este atlas passam sereias, lobisomens, dragões ou fantasmas, mas passam também figuras menos conhecidas como o Saca Unhas, o Povo das Furnas, o Homem das Sete Dentaduras ou o Gigante de Arruda dos Vinhos. Cada figura está documentada na relação com uma determinada região de Portugal, mas sabemos, e o livro esclarece-o logo no início, que muitas destas figuras são transversais ao território português e não só. Mouras Encantadas, por exemplo, aparecem em lendas de norte a sul do país e outras figuras são comuns ao espaço da Galiza, das Astúrias, da Andaluzia, que fazem fronteira com Portugal, ou a espaços mais distantes.

Samuel F. Pimenta e Helena Morais Soares
Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal
Nuvem de Letras

A partir de agora, os leitores mais novos têm à disposição uma boa introdução às figuras mitológicas da cultura portuguesa, e, na verdade àquilo a que chamamos cultura. E sempre atribuindo à tradição oral a sua importância devida neste processo complexo e cheio de ramificações a que chamamos identidade.