Chegamos ao número 100 desta nova vida do Parágrafo. Não começámos do nada: este suplemento já existia há muito no miolo do Ponto Final e foi tendo diferentes vidas, estruturas e pontos de vista. Em 2015, recomeçámos a contagem, dedicando as páginas do Parágrafo aos livros e ao tanto que pode guardar-se nas suas páginas, sempre assumindo que estes “objectos transcendentes”, como os descreveu Caetano Veloso, são muitas vezes pontes para outras expressões, as quais também foram encontrando eco nestas páginas. Assinalamos a data, pois claro, sem desperdiçarmos o potencial de um número tão redondo, mas o plano é continuar a contagem sem demasiadas preocupações com a numeração.
Brindamos e seguimos, portanto, e nesta edição conversamos com uma das mais famosas duplas de escritoras da língua portuguesa. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada têm um novo livro onde Luís de Camões e a sua relação com o Oriente são tema central. Camões no Oriente, com edição da Fundação Jorge Álvares, foi o pretexto para uma conversa que se abre a outros livros das autoras e a outros temas, sempre com Macau no horizonte.
Macau é também o objecto de estudo no centro de um livro importante, finalmente publicado em português. História Geral de Macau – Desde a Antiguidade até 2019, de Huang Qichen, é a tradução de uma obra publicada pela primeira vez nos anos 90 do século passado e entretanto ampliada, mas sempre em língua chinesa. Agora, com edição da Caminho e tradução de Hu Jing, os leitores de língua portuguesa podem, finalmente, aceder a uma História do território contada por uma voz chinesa, para variar de séculos de historiografia assente na visão dos portugueses que por aqui foram passando.
Há mais para ler nestas páginas, das habituais crónicas às leituras pensadas para os mais novos, da banda desenhada às revistas que a internet vai guardando e que nem sempre são fáceis de encontrar. Regressamos em Julho com mais livros e leituras. Até lá, voltamos a Caetano Veloso: «Mas os livros que em nossa vida entraram/ São como a radiação de um corpo negro/ Apontando pra a expansão do Universo/ Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso/ E, sem dúvida, sobretudo o verso/ É o que pode lançar mundos no mundo.» Cem edições depois, continuamos a acreditar nisto.











