O sector de retalho local está preocupado com o impacto da inauguração de um novo centro comercial perto do posto fronteiriço de Gongbei, o que poderá vir agravar a quebra do negócio no território, nomeadamente nos supermercados. A Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau defende a diversificação da fonte de produtos, do Sudeste Asiático ou dos países lusófonos, para a retenção de clientes.
Abriu este domingo um novo centro comercial na zona fronteiriça de Gongbei, em Zhuhai. O espaço comercial composto por 120 lojas, incluindo um hipermercado concebido para o público transfronteiriço, causou grandes filas de clientes não só do Continente, mas também de Macau. A inauguração do complexo comercial suscita preocupações no sector do retalho de Macau, especialmente perante a concorrência em termos de preços e dimensão de negócio.
A Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau admitiu que o novo centro comercial poderá prejudicar ainda mais o negócio das tradicionais zonas comerciais de Macau e as pequenas e médias empresas locais, uma vez que há cada vez mais residentes que optam por consumir no interior da China.
A associação prevê que os sectores da restauração e do retalho da Zona Norte, que já se encontravam em baixa, venham a sofrer ainda mais pressão nas suas operações. “Estamos muito preocupados. Este novo centro comercial é suficientemente grande e os preços são baixos, como na China continental a mão-de-obra é barata, as rendas são baixas e a oferta de produtos é grande”, frisou Wong Kin Chong, presidente da Associação Industrial e Comercial da Zona Norte de Macau, em declarações ao Canal Macau em língua chinesa.
Wong Kin Chong apontou que os moradores de Macau, particularmente os da Zona Norte, começaram a habituar-se a ir ao interior da China para fazer compras. “Gostam de conduzir até ao Continente e trazer de volta produtos de consumo diário, como arroz, óleo, sal e detergente para a roupa. Portanto, isso tem grande impacto no mercado de Macau”, salientou.
CEM MIL VISITANTES EM SEIS HORAS
O Parkside Mall, o novo complexo comercial em Zhuhai com seis pisos, fica a menos de 300 metros do posto fronteiriço de Gongbei. De acordo com o jornal Nanfang Daily, o espaço atraiu mais de 100.000 visitantes nas primeiras seis horas de funcionamento experimental no domingo, enquanto os clientes de Hong Kong e Macau representaram um terço do fluxo.
Segundo noticiou o jornal, o centro comercial abriu às 10h de domingo, mas já se encontrava uma grande multidão de residentes de Zhuhai e Macau reunida à porta à espera, o que obrigou o centro comercial a tomar medidas de controlo de fluxo de pessoas.
Entre as lojas instaladas neste centro comercial, o supermercado da marca chinesa Freshippo inaugurou a sua maior loja de Zhuhai. À imprensa, o representante da região do Sul da China da Freshippo afirmou que a loja foi concebida especificamente para consumidores transfronteiriços, oferecendo serviços de processamento de produtos frescos no local, resolvendo assim o problema do transporte deste tipo de mercadorias entre fronteiras. Além disso, a loja aceita todos os principais canais de pagamento de Macau. Segundo o representante, em apenas cinco horas de funcionamento, o supermercado atingiu um volume de negócios de 400 mil renminbis.
Já a empresa gestora do Parkside Mall, Zhuhai Zhuguang Group Holdings, garantiu que vai aproveitar o projecto para aprofundar os seus serviços transfronteiriços e fortalecer a economia na fronteira”, tendo reservado espaços para marcas de Hong Kong e Macau, e planeia acrescentar mais lojas, restaurantes e estabelecimentos culturais de Macau.
PRODUTOS IMPORTADOS COMO RESPOSTA
Em resposta aos desafios de negócios colocados pela abertura do centro comercial em Zhuhai, o sector de Macau defende que é necessário seguir a estratégia de “diferenciação de produtos” e melhorar a qualidade do serviço para atrair clientes, em vez de entrar numa “guerra de preços” com as lojas do Continente.
Wong Kin Chong considera que a indústria local deve aproveitar a vantagem de Macau em termos de controlo de qualidade dos produtos importados e dos alimentos, procurando introduzir e vender produtos do Sudeste Asiático ou dos países de língua portuguesa, atraindo assim os consumidores com fontes de abastecimento únicas. “Os residentes de Macau podem ter mais confiança na qualidade dos produtos importados, o que cria uma diferenciação do mercado do interior da China. Ao mesmo tempo, os supermercados em Macau precisam também de expandir o serviço online e até o serviço de entrega, para facilitar ainda mais a vida aos consumidores”, observou.
Ao Jornal Ou Mun, um porta-voz do sector de supermercados, que não revelou a sua identidade, além de concordar com a importação de produtos de qualidade do exterior, disse esperar que o Governo reforce a fiscalização da entrada de produtos frescos em Macau. “Alguns produtos frescos que não foram submetidos a uma inspecção rigorosa estão a entrar em Macau através de diversos canais, alguns supermercados do Continente utilizam a entrega ao domicílio como estratégia de promoção, oferecendo serviços de entrega directa de produtos frescos em Macau, o que representa um grande impacto negativo para os negócios dos supermercados locais”, indicou.











