O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que o Brasil e a China são “pilares de estabilidade no mundo actual”, depois uma reunião em Pequim com o homólogo brasileiro, Mauro Vieira.
Segundo um comunicado da diplomacia chinesa, Wang sublinhou na segunda‑feira que “a China sempre foi um amigo fiável dos países da América Latina e das Caraíbas” e destacou que Pequim e Brasília “cooperaram estreitamente no plano internacional, demonstrando responsabilidade e consolidando‑se como pilares da estabilidade e da promoção do desenvolvimento no mundo atcual”.
O chefe da diplomacia chinesa acrescentou que “a influência global, estratégica e de longo prazo” dos dois países se tornou mais evidente, ao mesmo tempo que “a cooperação pragmática em diversos domínios se tem reforçado continuamente”. “Alterações não vistas num século estão a acelerar, e as expectativas da comunidade internacional em matéria de paz e estabilidade são cada vez mais urgentes”, disse Wang, defendendo que “China e Brasil devem reforçar a comunicação e a cooperação em mecanismos multilaterais como as Nações Unidas e os BRICS”.
Vieira, por seu lado, afirmou que “a relação entre Brasil e China é um referencial para que os países em desenvolvimento defendam a sua independência e autossuficiência”. O ministro brasileiro acrescentou que “tanto o Brasil como a China são forças importantes que apoiam o multilateralismo e promovem o livre comércio”.
Vieira reuniu‑se também com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, para abordar a relação económica e comercial bilateral e o acesso de produtos brasileiros ao mercado chinês, informou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil na rede social X, destacando que o comércio entre os dois países atingiu em 2025 um resultado “histórico”.
O chefe da diplomacia brasileira foi igualmente recebido pelo vice‑presidente chinês, Han Zheng, que manifestou a disponibilidade de Pequim para reforçar a coordenação estratégica bilateral.
Vieira sublinhou que a confiança política entre os dois países se consolidou nos últimos anos com os contactos entre os respetivos presidentes e que, perante um golpe “sem precedentes” ao multilateralismo, o Brasil está disposto a aprofundar a cooperação com a China, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
A China é o maior parceiro comercial do Brasil desde 2009 e o intercâmbio bilateral atingiu em 2025 um recorde de 171 mil milhões de dólares (146,9 mil milhões de euros), de acordo com dados do Governo brasileiro.
Em maio de 2025, o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o homólogo chinês, Xi Jinping, realizaram em Pequim o terceiro encontro em dois anos, durante uma visita em que foram assinados novos acordos em áreas como economia digital, inteligência artificial e exploração espacial.
O Brasil foi ainda o país que mais investimentos chineses recebeu em 2025, num total de 6,1 mil milhões de dólares.
Em abril, as exportações chinesas de automóveis elétricos puros para o Brasil dispararam 221% em termos homólogos, tornando o país sul‑americano no principal destino nesta área. Lusa













