Finlandês dominou Rali da Europa Central dias depois de ter anunciado que vai trocar os ralis pelos monolugares com o objectivo de chegar à Fórmula 1. Toyota confirmou quinto título consecutivo no mundial de construtores.
Tudo em aberto para as duas últimas provas do Campeonato do Mundo de Ralis numa luta pelo título que será muito certamente entre três homens da Toyota: Kalle Rovanperä, Elfyn Evans e Sébastien Ogier.
Rovanperä, navegado por Jonne Halttunen, dominou o Rali da Europa Central, tendo beneficiado do violento acidente, no sábado, do companheiro de equipa Sébastien Ogier. Vinham ambos num jogo do gato e do rato quando Ogier saiu de estrada e bateu numa árvore, numa altura em que as condições do asfalto eram altamente traiçoeiras devido ao piso escorregadio. O francês bateu com violência, tendo partido a direcção do Toyota GR Yaris Rally1 e só regressaria no dia seguinte, para minimizar estragos no ‘Super Domingo’.
Foi a terceira vitória da temporada para Rovanperä, após os triunfos nas Ilhas Canárias e na Finlândia. A Toyota selou o nono título mundial de construtores. O fabricante nipónico ultrapassou os oito da Citroën e está apenas a um da Lancia. A marca italiana, que anunciou recentemente o regresso ao WRC com um Rally2, ainda é recordista isolada.
“Este regresso ao asfalto foi óptimo. Penso que eu e o Séb estávamos com muito mais andamento do que a concorrência”, afirmou Rovanperä. Os 31 pontos alcançados no fim-de-semana (contra os 25 de Evans e os 10 de Ogier) permitiram-lhe recuperar terreno nas contas do mundial. O finlandês soma agora 234 pontos, os mesmos que Ogier, sendo que Evans continua no primeiro lugar da classificação com 247 pontos.
“Não vai ser fácil alcançar a vitória no campeonato, mas ao menos aumentámos as nossas possibilidades com este resultado. Vamos tentar replicar a performance no Japão”, prometeu ainda Rovanperä, ele que dias antes tinha anunciado que vai abandonar o WRC para tentar chegar à Fórmula 1. O jovem bicampeão do mundo vai começar essa aventura em 2026 no Campeonato de monolugares Súper Formula, no Japão.
A luta pelo título de pilotos será a três, tendo em conta que faltam apenas duas provas para o fim do campeonato (Japão e Arábia Saudita). Só uma hecatombe dos três primeiros classificados da Toyota no mundial permitirá dar uma luz de esperança a Ott Tänak. O estónio da Hyundai terminou no último lugar do pódio no rali que percorreu o asfalto de três países (Alemanha, Áustria e Chéquia) e soma agora 197 pontos.
Elfyn Evans minimizou estragos, uma vez que nunca mostrou andamento para disputar a prova com Rovanperä e Ogier. O galês, navegado por Scott Martin, terminou o rali a 43.7 segundos de Rovanperä, mas amealhou bons pontos que lhe permitiram recuperar a liderança do campeonato. Evans beneficiou de um deslize de Ott Tänak na especial 17, precisamente na mesma ponte que colocou fora de prova o campeão do mundo Thierry Neuville – uma batida forte que obrigou piloto e co-piloto a passarem pelo posto médico, mas sem consequências de maior.
Ogier, que chegou ao Rali da Europa Central na liderança do mundial, compensou o abandono de Sábado no Super Domingo. Foi o mais rápido e somou ainda os 5 pontos extra da ‘Wolf Power Stage’.
Destaque ainda para Takamoto Katsuta. O japonês da Toyota terminou em quarto, seguido pelo francês Adrien Fourmaux (Hyundai), pelo finlandês Sami Pajari (Toyota) e pelo irlandês Joshua McErlean (Ford).
O luxemburguês Grégoire Munster, o outro regular da M-Sport Ford, voltou a ter um rali atribulado. Saiu de estrada logo na sexta-feira, tendo partido a suspensão traseira do Ford Puma Rally1.
Solberg não abranda
Oliver Solberg foi o mais rápido nos Rally2. O sueco da Toyota chegou ao Rali da Europa Central já com o título de campeão na categoria WRC2. Mesmo assim não tirou o pé do acelerador e foi o mais rápido entre os pilotos do Rally2. Terminou a prova no oitavo lugar da classificação geral.
Solberg não estava inscrito para pontuar no WRC2, foi uma espécie de teste de asfalto para o Rali do Japão.
Quem venceu a categoria foi o checo Jan Cerny ao volante de um Skoda Fabia RS Rally2. O compatriota Filip Mares (Toyota GR Yaris Rally2) foi segundo enquanto que o italiano Roberto Daprà (Skoda Fábia RS Rally2) foi terceiro.
O mundial de ralis segue agora para o continente asiático com aquela que promete ser a maior batalha pelo título de pilotos na história moderna do WRC. O Rali do Japão vai para a estrada entre 6 e 9 de Novembro. A ronda final do campeonato decorrerá na Arábia Saudita no final de Novembro. Será a estreia do WRC no Médio-Oriente, o que promete incerteza a dobrar para pilotos e máquinas, tendo em conta o terreno arenoso.
A prova contará com o regresso, já anunciado, do letão Martins Sesks e a possível presença, ao volante de um dos Puma da M-Sport, do catari Nasser Al-Attiyah, o lendário piloto de todo-o-terreno, cinco vezes vencedor do Rali Dakar.












