A criminalidade geral em Macau referente a 2025 registou uma descida anual de 5,9%, num contexto do aumento de crimes contra a Pessoa, nomeadamente o abuso sexual de crianças, injúria e ofensa à integridade física. O secretário para a Segurança divulgou ontem os dados referentes ao ano passado, mostrando que os casos de abuso sexual de criança disparam 77% em termos anuais.
Em 2025, as autoridades policiais de Macau registaram 13.458 inquéritos criminais instaurados, menos 840 em comparação com o ano anterior, ou seja, uma diminuição de 5,9%. A queda da criminalidade geral contradiz com o aumento dos crimes contra a Pessoa, destacando-se um acréscimo significativo dos casos de abuso sexual de crianças, de estupro e de homicídio.
Os dados foram conhecidos no balanço da criminalidade referente ao ano passado, divulgado ontem no site do Gabinete do Secretário para a Segurança, em vez da habitual conferência de imprensa. Segundo o documento, os crimes contra a Pessoa foram a causa de 2.454 casos, entre os quais 39 estavam relacionados com o abuso sexual de crianças, o que representa uma subida de 17 casos, ou seja, 77,3%.
Estes casos envolveram “principalmente actos sexuais voluntários entre pessoas da mesma idade e importunações sexuais de gravidade menor”, adiantou.
A tutela da Segurança, nesse sentido, prometeu medidas para “melhor proteger os jovens contra crimes sexuais”, com a organização no ano passado de 58 sessões de sensibilização, em diversas escolas, sobre a prevenção de crimes sexuais e o reforço da autoprotecção contra este tipo de crimes. As actividades contaram com a participação de mais de 8.000 pessoas incluindo alunos, encarregados de educação e pessoal docente, indicou o relatório.
Foram registados, além disso, dez casos de estupro, um aumento 66,7% em comparação com seis casos do ano anterior, bem como três casos de homicídio, com uma diferença de 200% face a 2024. A ofensa simples à integridade física resultou em 1.191 casos (+6,8%), enquanto a injúria originou 127 casos (+17,6%).
Contudo, os casos de violação diminuíram no ano passado, passando de 48 para 32 casos. As autoridades apontaram que, entre estes casos, cerca de 70% das vítimas não eram residentes de Macau e a maioria destes crimes ocorreu em quartos de hotel, “não sendo de afastar a hipótese de que alguns dos casos tenham ocorrido num contexto de negócio sexual”.
O balanço do secretário mostra ainda que os crimes contra o território também tiveram um aumento de 22,4% em termos anuais, com uma subida de 43,1% nos casos de desobediência e de 18% nos de falsa declaração.
É de salientar ainda que, durante as investigações e as operações efectuadas pela polícia, foram detidos e encaminhados ao Ministério Público, no total, 5.925 indivíduos, o que reflecte um aumento de 524 pessoas, mais 9,7%, em comparação com 2024.
Apesar disso, Chan Tsz King, secretário para a Segurança, deu destaque à diminuição no número total de crimes, indicando que isso mostra a “eficácia dos trabalhos de prevenção e de combate da Polícia e a elevação da consciência de prevenção criminal do público em geral”.
BURLAS DIMINUÍRAM
Em relação aos 7.853 casos de crimes contra o Património investigados pela polícia, um total de 2.255 foi de burla. O número teve uma redução de 545 casos, ou de 19,5%, face ao ano anterior. Entre estes casos, as burlas telefónicas e cibernéticas registaram, respectivamente, 279 e 562 casos, representando descidas de 21% e 39% em relação ao ano de 2024.
A extorsão provocou 134 casos, o que representa uma descida de 21,2% relativamente à situação do ano anterior, envolvendo principalmente casos de extorsão a pretexto de conversa nua via internet, revelou o Governo.
Relativamente a tráfico e venda de droga, foram registados 63 casos, mais 12 (23,5%) do que em 2024. “Acredita-se que o aumento registado está relacionado com a descoberta de vários casos de tráfico transfronteiriço de droga pela polícia, nomeadamente o maior caso de contrabando de canábis apreendido na história de Macau ocorrido no passado mês de Setembro”, sublinhou o relatório.
SUBIDA LIGEIRA DA DELINQUÊNCIA JUVENIL
Por outro lado, registaram-se no ano passado 143 casos de delinquência juvenil, um aumento anual de 6 casos (+4,4%), sendo que o número de jovens envolvidos foi de 229, o que, comparando com 2024, traduz um aumento de 48 jovens (+26,5%).
A tutela da Segurança afirmou que, entre os casos, 68 dizem respeito a casos de ofensas simples à integridade física. A maioria dos casos era relacionada com “conflitos ocorridos entre amigos ou colegas por motivo de brincadeira ou durante a prática de desporto”, segundo o Executivo, sendo os ferimentos causados de grau relativamente ligeiro.
Houve 22 casos de furto praticados por jovens, mais 8 do que no ano transacto. A análise diz que os casos envolveram “montantes relativamente baixos”, nomeadamente artigos de papelaria, artigos desportivos, produtos de maquilhagem, bonecas, entre outros.
SEM DADOS SOBRE SUICÍDIOS
O mais recente relatório do secretário para a Segurança continua a não revelar as estatísticas relativas às mortes por suicídio e aos números de tentativas de suicídios em Macau. Estes dados, que costumavam ser transparentes, não são divulgados pelo secretário para a Segurança desde o terceiro trimestre do ano passado, pondo fim a mais de uma década de divulgação pública desses números. Desde 2015, quando o ex-secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, estava no cargo, o relatório da criminalidade da tutela apresentava números mensais que abrangiam dados por sexo, faixa etária, causas de morte e método. Já os Serviços de Saúde deixaram também de divulgar os resultados trimestrais da monitorização das mortes por suicídio. As autoridades, por enquanto, não deram explicações sobre a decisão de não publicar estes dados.












