Tailândia e China acordaram reforçar a colaboração no combate ao crime transnacional e às burlas ‘online’, anunciou o Governo tailandês, após um encontro em Banguecoque entre o primeiro-ministro, Anutin Charnvirakul, e o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.
A porta-voz do Executivo tailandês, Rachada Dhnadirek, adiantou que Anutin agradeceu o “contínuo apoio” da China à Tailândia, enquanto Wang Yi felicitou o primeiro-ministro pela manutenção do cargo após as eleições e manifestou confiança na continuação do aprofundamento das relações bilaterais.
O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, que chegou à Tailândia na quinta-feira para uma visita de três dias, após uma deslocação ao Camboja focada no reforço dos laços políticos e de segurança, reuniu-se também com o homólogo tailandês, Sihasak Phuangketkeow. De acordo com o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, o chefe da diplomacia de Pequim tem prevista uma visita a Myanmar nos próximos dias.
A China é actualmente o principal parceiro comercial da Tailândia, tendo os dois países assinalado no ano passado o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas, um marco celebrado também com a primeira visita de um rei tailandês em funções à China, Maha Vajiralongkorn, em novembro.
O investimento chinês na Tailândia acelerou nos últimos anos, impulsionado em parte pela relocalização de produção de várias empresas de Pequim para o Sudeste Asiático para contornar as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Tailândia pede ajuda à China face a escassez de fertilizantes
A Tailândia pediu ajuda à China para garantir o fornecimento de fertilizantes aos agricultores, perante problemas de escassez causados pela guerra no Médio Oriente, anunciou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnkirakul.
O pedido foi feito durante uma reunião em Banguecoque com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, disse o próprio chefe do Governo da Tailândia aos jornalistas, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Anutin qualificou a interrupção no fornecimento de fertilizantes em consequência da guerra no Irão como um dos principais problemas da Tailândia. “Gostaríamos que a China considerasse o fornecimento de fertilizantes, se dispuser de quantidades suficientes, para ajudar os agricultores tailandeses”, disse o político conservador. Anutin também pediu a Pequim que incluísse a Tailândia nas negociações sobre rotas marítimas e transporte de energia a partir do Médio Oriente.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura colocou na quinta-feira a Tailândia entre os países com maiores riscos para a segurança alimentar devido à dependência do golfo Pérsico para a exploração dos solos, especialmente o arroz.
Sobre o aspeto energético, Anutin assegurou que nas “atuais condições de relativa estabilidade”, numa alusão à trégua e negociações entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, não haverá escassez de petróleo nem interrupções no fornecimento. “No entanto, não diria que a situação seja totalmente segura, já que desconhecemos quanto tempo durará a guerra”, afirmou.
Anutin reafirmou que a Tailândia está aberta a mais investimentos chineses em indústrias como robótica, sensores, veículos eléctricos e inteligência artificial, setores nos quais já circula capital do gigante asiático.
O ministro chinês abordou com Anutin as relações entre Banguecoque e Phnom Penh. Wang ofereceu-se como mediador para que os países avancem na normalização das relações, após os confrontos na fronteira que provocaram dezenas de mortos em Dezembro de 2025.
A China tem intensificado nos últimos anos a presença na região do Sudeste Asiático, com um maior peso em investimentos, comércio e cooperação em segurança, num cenário marcado por tensões estratégicas e competição com os Estados Unidos pela influência. Lusa











