NAVEGAR É PRECISO

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https://fumaca.pt/

 

Em 2016, um grupo de jovens jornalistas criou um podcast que rapidamente se afirmou no panorama jornalístico português. Rigoroso, transparente e focando temas que muitas vezes não são profundamente explorados pela maioria dos meios de comunicação, o Fumaça tem trabalhado de forma independente, lutando para alcançar um financiamento totalmente assegurado pelos seus ouvintes. No site, a equipa apresenta-se assim: «Somos dissidentes. Defendemos a necessidade de ir para lá da agenda mediática vigente, de criar alternativas às estruturas jornalísticas tradicionais no financiamento, práticas editoriais e laborais, e modelos de organização. Fumaça é detido legalmente pela Verdes Memórias – Associação, uma associação sem fins lucrativos composta exclusivamente pelas pessoas da redação. Procuramos remunerar de forma apropriada o trabalho de cada pessoa que faz parte do coletivo, garantindo pagamentos justos e condições laborais dignas. Ambicionamos à transparência radical editorial e operacional. Não acreditamos na existência de jornalismo neutro: ao invés de afirmar a isenção, assumimos de maneira clara as nossas subjetividades e conflitos de interesse.»

Nesta linha, o Fumaça já produziu sete longas séries, que podem ser escutadas a partir do seu site ou de uma das muitas plataformas de podcasts, sobre temas como a Palestina, a exploração de gás, a saúde mental, a União Europeia e as suas fronteiras no que às migrações diz respeito, as empresas de segurança privadas ou a crise climática, para além de várias reportagens e outros trabalhos de menor fôlego. A série mais recente, Quase da Família, é sobre as mulheres que limpam e cuidam do mundo e o põem a mexer, feita em parceria com a estrutura de criação artística Cassandra. A ideia partiu da peça de teatro sobre trabalho doméstico “Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa”, uma criação de Sara Barros Leitão com a estrutura Cassandra, e o resultado acompanha as histórias de muitas mulheres (algumas, ainda crianças quando começaram a trabalhar) que viveram e vivem do trabalho doméstico, bem como o contexto em que esse trabalho se desenvolve, da total ausência de regras anterior ao 25 de Abril à actualidade, passando pela criação do primeiro sindicato das trabalhadoras domésticas e pelos muitos processos de consciencialização que marca(ra)m a vida destas pessoas.

Conhecido pelo jornalismo rigoroso, mas também por ter todas as suas contas publicamente disponíveis para consulta, o Fumaça tem neste momento 45% do seu funcionamento assegurado pelas contribuições regulares da sua comunidade de ouvintes e por uma série de bolsas e apoios de diferentes origens, todos devidamente explícitos no site.