Escritores e ilustradores pedem cessar-fogo na Palestina
Um abaixo-assinado que reúne já cerca de duas centenas de nomes de escritores e escritoras de língua portuguesa apela ao cessar-fogo na Palestina e ao cumprimento das regras internacionais de ajuda humanitária. O documento, promovido pela Fundação José Saramago, conta com nomes como os de Chico Buarque, Djaimilia Pereira de Almeida, Itamar Vieira Júnior, Mia Couto e Lídia Jorge, entre tantos outros, e apela «ao cessar-fogo imediato na Palestina, à entrada urgente de ajuda humanitária nos territórios ocupados, à libertação de todos os reféns e à resolução política desta ocupação no quadro da Organização das Nações Unidas». A subscrição continua aberta e prevê-se que, nos próximos dias, mais autores se juntem. A iniciativa segue o gesto colectivo assumido por autores anglófonos e francófonos que, em abaixo-assinados semelhantes, dão voz a nomes como Ian McEwan, Irvine Welsh, Zadie Smith, Annie Ernaux, Jean-Marie Gustave Le Clézio ou Leïla Slimani.
No mesmo sentido, está a circular um outro abaixo assinado, desta vez reunindo diversos profissionais que criam e trabalham para a infância, nomeadamente na área editorial. O documento, que conta com as assinaturas de André Letria, António Jorge Gonçalves, Yara Kono ou Luísa Ducla Soares, afirma o seguinte: «Criamos e trabalhamos para a infância. Ante o massacre de milhares de crianças e outros Palestinianos em Gaza, não seremos cúmplices pelo silêncio. Denunciamos e repudiamos o genocídio. Um mundo de paz é possível. É esse o mundo que desejamos.»
Prémio dst para Luísa Costa Gomes
No próximo dia 28 de Junho, a escritora portuguesa Luísa Costa Gomes subirá ao palco do Theatro Circo, em Braga, para receber o Grande Prémio de Literatura DST 2025. A distinção foi-lhe atribuída pelo livro Visitar Amigos e Outros Contos (publicado pela D. Quixote) e o júri, presidido por José Manuel Mendes, da Associação Portuguesa de Escritores, e composto também por Lídia Jorge e Carlos Mendes de Sousa, justificou a unanimidade da escolha, sublinhando que os contos da autora «surpreendem pela energia narrativa», revelando «personagens poderosas na sua diversidade sociológica e afectiva», com uma «recusa da inércia existencial” e uma «construção formal que enriquece a experiência de leitura», como se lê no comunicado distribuído pela dst, empresa responsável pelo prémio.
Ngugi wa Thiong’o (1938-2025)
O escritor queniano Ngugi wa Thiong’o, nome maior das letras africanas e candidato permanente ao Prémio Nobel da Literatura, morreu no final de Maio, deixando uma obra extensa que inclui novelas, romances, dramaturgia, contos e ensaios, e que vai da crítica social à literatura para os mais novos. Para além de escritor, foi também professor de Literatura Comparada na Universidade da Califórnia, deu aulas na Universidade de Yale durante alguns anos e ainda na Universidade de Nova Iorque, tendo vivido décadas exilado no Reino Unido e nos EUA depois de um intenso envolvimento nas lutas de libertação do seu país natal, o Quénia, que esteve sob domínio colonial britânico até à independência, em 1963.











