Montra de Livros

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1.

Alexandre O’Neill
Abandono Vigiado
Assírio & Alvim

Prosseguindo a reedição da obra poética completa de Alexandre O’Neill, a Assírio & Alvim volta a trazer para as livrarias o terceiro livro do autor, publicado pela primeira vez em 1960, na mítica coleção Poesia e Verdade da Guimarães Editores. Esta nova edição tem posfácio de Golgona Anghel.

2.

Clarice Lispector
A Hora da Estrela
Companhia das Letras 

A Companhia das Letras prossegue a edição das obras completas de Clarice Lispector, colocando nas livrarias o livro que a autora publicou pouco antes de morrer. A Hora da Estrela é frequentemente apontado como um romance atípico por entre a bibliografia de Lispector e talvez o enfrentamento com a morte, ou, pelo menos, a sua ameaça a rondar de modo mais intenso explique, parcialmente, esse carácter único do livro. 

 

3.

João Sequeira e Rui Cardoso Martins
O Progresso da Humanidade
Polvo

É a terceira vez que João Sequeira adapta um conto de Rui Cardoso Martins para banda desenhada e o resultado é uma outra obra, uma narrativa onde texto e imagem são uma só respiração a marcar o caminho por entre a paisagem deturpada de uma mente (a do protagonista, Oliveira) e as paisagens agrestes da Serra do Gerês. 

 

4.

Banu Mushtaq
Candeia Coração
Relógio D’Água
Marta Mendonça

Com este livro de contos, a escritora indiana e activista pelos direitos humanos venceu o International Booketr Prize de 2025, situando as suas narrativas no espaço familiar e comunitário e revelando os conflitos emocionais e práticos, as assimetrias provocadas pelo género, mas também pela classe social, e uma atenção detalhada à oralidade e aos contornos plásticos da sua expressão quotidiana.

 

5.

Helena Carvalhão Buescu
Camões Poeta, Herói N’Os Lusíadas
Tinta da China 

Cruzando o cantar dos feitos dos portugueses com o tema do desconcerto do mundo, que atravessa parte da lírica camoniana, este ensaio convoca o conceito de negative capability, de John Keats, para analisar a presença de Camões como herói na sua própria epopeia.

6.

David Leffman
A Murder in Yunnan
Blacksmith Books

Partindo de alguns factos, David Leffman assina um policial de contornos históricos sobre a morte do diplomata inglês Augustus Raymond Margary em 1875, na fronteira entre a China e a antiga Birmânia.

 


 

Navegar é preciso

ulisboa

 

Já circula pela internet a mais recente edição da Ulisboa, revista publicada pela Universidade de Lisboa que tem vindo a reunir artigos, entrevistas e textos vários que dão a conhecer o que se faz nesta universidade para além das aulas e das actividades lectivas, mas sobretudo que permitem deambular intensamente pela ciência, pela cultura e pelas diferentes criações e expressões artísticas que dialogam com a instituição. No número 34, que pode ser descarregado e lido gratuitamente em qualquer ecrã, o destaque vai para a taxidermia e para o imprescindível trabalho de Pedro Andrade e da sua equipa no Museu Nacional de História Natural e da Ciência: « “A palavra divide-se em taxi e dermia: taxi significa ‘movimento’ e dermia ‘pele’. Se juntarmos as duas temos ‘dar movimento à pele.” Esclarece também que a este processo não se chama embalsamamento, isso sempre foi incorreto. Embalsamar compreendia o uso de bálsamos para a preservação dos tecidos, evitando assim que o animal apodrecesse. Era o processo usado nas múmias. Também já não é empalhamento, que implicava o uso de palha para preencher o corpo do animal. Pedro prefere chamar naturalização ao que fazem no laboratório porque as peças são preparadas de modo a que o animal mantenha as medidas reais e fique com aspeto natural, numa posição que adotaria na natureza.»

Também o escritor Gonçalo M. Tavares surge em destaque nestas páginas, a propósito do ciclo de conversas “Pensar a dois tempos”, que tem organizado desde 2024 nesta universidade, mas também a propósito da sua escrita. Um excerto dessa conversa: «Estou a falar de forma utópica, sei que formalmente há sempre constrangimentos, mas podia pensar-se num seminário geral que englobasse diferentes conferências. As várias Escolas organizam, por iniciativa própria, conversas com convidados fora da Escola, mas com enquadramento de um dos docentes da Escola – este é um dos elementos que acho interessante. Pensando numa universidade mais geral, e até na circulação dos estudantes, seria interessante eles serem valorizados por assistirem a uma conversa numa Escola diferente daquela em que estão. A ideia de uma universidade única é a de uma universidade com diferentes polos em que as pessoas circulem como se fossem uma corrente sanguínea. Os estudantes enquanto corrente sanguínea: pensando numa universidade utópica, pode ser isso.»

Nas páginas da ULIsboa há vários outros artigos, entrevistas e notícias para ler, das conversas com João Figueiredo, da Faculdade de Letras, sobre a exposição Meu Matalote e Amigo Luís de Camões, da qual foi curador, e com João Brandão, designer e professor da Faculdade de Arquitectura, aos novos desafios criados pela Inteligência artificial, passando por leituras, crónicas e várias sugestões culturais.