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      EM FOCO

      ABRIL TAMBÉM SE LÊ

      Os 50 anos da Revolução de Abril de 1974 assinalam-se de muitas maneiras e em milhares de páginas. De cravo na lapela, olhamos as novidades editoriais que já chegaram ou estão para chegar.

       

      A Revolução Antes da Revolução, Luís de Freitas Branco

      Como não pensar em música quando se trata da Revolução de Abril? As senhas no derradeiro momento foram as canções «E Depois do Adeus» de Paulo de Carvalho, e «Grândola, Vila Morena» de Zeca Afonso, mas «o papel da música na queda da ditadura não começou apenas na madrugada de 25 de Abril de 1974», e é isso que este livro pretende revelar. Lançando «uma nova luz sobre a revolução e os caminhos musicais que a ela conduziram», o ponto de partida é 1971, ano da publicação de discos emblemáticos de José Mário Branco, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes e, claro, de José Afonso. Num trabalho de investigação durante o qual foram entrevistadas dezenas de pessoas e analisada uma extensa bibliografia, tendo sido consultados mais de 700 jornais e cerca de duas centenas e meia de revistas, Luís de Freitas Branco, jornalista e crítico musical, faz um «levantamento rigoroso, exaustivo e em grande parte surpreendente que documenta o modo como a música popular portuguesa abriu as portas para o clima cultural, social e político que desencadeou “o dia inicial inteiro e limpo” e que mudou Portugal há 50 anos». A Revolução Antes da Revolução é editado pela Zigurate.

       

      Cravo, Maria Velho da Costa

      Nem só de livros novos se faz a celebração editorial do 25 de Abril. As reedições têm uma forte palavra a dizer, como no caso deste Cravo, de Maria Velho da Costa, agora numa edição da Assírio & Alvim concebida pela artista Ilda David. Flor por excelência do momento que marcou o fim da longa noite ditatorial, o cravo deu título à obra da saudosa autora desaparecida em 2020, onde se reúnem mais de duas dezenas de textos – crónica, poesia, manifesto, ensaio – ligados pelo impacto do 25 de Abril de 1974. «Nos 50 anos desta data histórica, este livro de Maria Velho da Costa é imprescindível para compreender Portugal, para pensar o país, a Revolução, as mulheres e a condição dos escritores», refere a nota que apresenta o livro.

       

      O Meu Primeiro 25 de Abril, de José Jorge Letria (texto) e Helder Teixeira Peleja (ilustração)

      A Revolução fez-se de grandes e pequenos episódios e figuras, e hoje conta-se a grandes e pequenos leitores. Este livro é a história ilustrada de um Abril que «pôs fim à guerra colonial, à censura e aos muitos medos de todos os dias e todas as horas». É, também, o testemunho pessoal de José Jorge Letria – hoje autor experimentado na literatura infantil, à época jornalista e cantor politizado – e daquilo que viveu em 1974, nos instantes que haveriam de mudar o futuro do país. O lápis e os pincéis desta edição da Dom Quixote foram entregues a Helder Teixeira Peleja, ilustrador alentejano.

       

      Revolução Inacabada, Francisco Manuel dos Santos

      Este livro faz uma pergunta aguda: o que não mudou com o 25 de Abril? A Fundação Francisco Manuel dos Santos assinala este meio século desde a Revolução com esta obra do jornalista João Pedro Henriques, onde se identifica que, apesar de todas as conquistas de cinco décadas de democracia, «há características na sociedade portuguesa que se mantêm quase inalteradas», aponta a sinopse do livro. Duas delas são desde logo notadas: «o elitismo na política e o machismo na justiça» – frase que, invertida, também faria provavelmente sentido. «O recrutamento para a classe política dirigente praticamente não abrange pessoas não licenciadas e com contacto com a pobreza, e quase não há mobilidade do poder local para o poder nacional. No sistema judicial, a entrada das mulheres na magistratura e a mudança para leis mais progressistas não alteraram um padrão de baixas condenações por crimes sexuais, cometidos sobretudo contra mulheres», elabora o texto que apresenta o livro, pretendendo mostrar que «a revolução pela igualdade está ainda inacabada».

       

      Antes do 25 de Abril Era Proibido, António Costa Santos

      A editora Guerra & Paz chega com vários títulos dedicados ao 25 de Abril – O Lápis Azul da Censura e 50 Anos de Abril no Algarve, por exemplo – mas aqui destacamos este título do jornalista e escritor António Costa Santos, que nos lembra coisas já bem esquecidas de antes da Revolução. A saber: era preciso uma licença do Estado para usar um isqueiro; uma mulher, para viajar, precisava de autorização escrita do marido; as enfermeiras estavam proibidas de casar; as saias das raparigas eram medidas à entrada da escola, para garantir que cobriam os joelhos; ou, esta mais evidente, não se podia ler o que se queria ou escutar a música que apetecesse. «Já nos esquecemos, mas, há 50 anos, feitos agora em Abril de 2024, tudo isto era proibido em Portugal. Tudo isto e muito mais, como dar um beijo na boca em público, um acto exibicionista atentatório da moral, punido com coima e cabeça rapada. E para os namorados que, num banco de jardim, não tivessem as mãozinhas onde deviam», havia também grandes castigos. Caso para dizer: nunca mais!