Coreia do Norte responde a questões da ONU sobre soldado dos EUA detido no país

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A Coreia do Norte respondeu a questões sobre o soldado norte-americano que terá sido detido por entrar ilegalmente no país, anunciou ontem o comando da força multinacional da ONU, sem dar mais pormenores.

Travis King, alvo de um processo disciplinar, atravessou em 18 de Julho, “voluntariamente e sem autorização”, a fronteira entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, segundo o comando das Nações Unidas.

O exército norte-coreano “respondeu ao comando das Nações Unidas no que respeita ao soldado King”, declarou em comunicado a força multinacional da ONU, liderada pelos Estados Unidos, que supervisiona o cumprimento do armistício entre as duas Coreias. “Para não interferir com os esforços para o trazer para casa, não entraremos em pormenores neste momento”, acrescentou o comando da ONU, citado pela agência francesa AFP.

A informação surge 10 dias depois de o comando da força multinacional ter anunciado o lançamento de “discussões com o Exército Popular da Coreia através do mecanismo do acordo de armistício”.

O acordo em causa pôs fim às hostilidades na Guerra da Coreia (1950-1953), que opôs uma força internacional autorizada pela ONU, liderada pelos Estados Unidos, a forças norte-coreanas com apoio da China e da então União Soviética. Travis esteve preso durante dois meses após uma briga numa discoteca e uma altercação com a polícia em Seul.

Em 10 de Julho, saiu da prisão para ser conduzido sob escolta ao aeroporto, de onde deveria ter partido para uma audiência disciplinar nos Estados Unidos. Em vez disso, conseguiu fugir e atravessou a fronteira na zona desmilitarizada que separa as duas Coreias.

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul permanecem tecnicamente em guerra porque nunca assinaram um tratado de paz, mas apenas um acordo para cessar os combates. A maior parte da fronteira entre os dois países asiáticos é fortificada. Em muitas ocasiões, Pyongyang deteve norte-americanos e utilizou-os como moeda de troca.

O incidente com Travis ocorre num contexto de grande tensão entre o Ocidente e o Presidente norte-coreano, Kim Jong-un.

Kim revelou, no final de Julho, novos ‘drones’ (aeronaves sem tripulação) com capacidade nuclear e mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) perante o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu. O regime da Coreia do Norte apoia a Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Os progressos registados ontem “mostram um sinal da vontade da Coreia do Norte de negociar” e de normalizar as relações com os Estados Unidos para se tornar menos dependente da China, comentou à AFP Vladimir Tikhonov, professor da Universidade de Oslo.