Montra de Livros

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1.

Ana Vargas e Joana Pontes
Querido Pai – Uma conversa entre ausentes. Cartas da guerra, 
1961-1975
Tinta da China

A partir da correspondência entre os militares portugueses mobilizados para a Guerra Colonial e os filhos pequenos que deixaram na então chamada Metrópole, este livro percorre as relações possíveis que assim se construíram, à distância, na ausência, com o papel dos aerogramas a servir de único espaço para um terreno emocional comum. 

2.

Marta Pais Oliveira
A Última Lição de José Gil
Contraponto 

Numa longa conversa com Marta Pais Oliveira, o filósofo José Gil partilha dúvidas, ideias e muitas perguntas, mas também o seu percurso biográfico, da infância em Moçambique ao regresso à então metrópole, passando por Paris, pelos diferentes trabalhos que teve e pelas permanentes indagações e reflexões que o acompanharam desde cedo.

3.

Afonso Cruz
O Vício dos Livros II
Companhia das Letras 

Segundo volume de uma obra onde Afonso Cruz percorre os hábitos de leitura, incluindo as paixões bibliográficas e os ódios livrescos, de vários escritores, pensadores, cientistas, artistas, sempre num registo que cruza o documental com o romanesco.

4.

Tatiana Salem Levy
A Chave de Casa
Elsinore

Volta a estar disponível o primeiro romance da autora, história que tem no centro uma mulher do Rio de Janeiro, nascida em Lisboa e descendente de judeus sefarditas, cujo avô, antes de morrer, lhe dá a chave da sua antiga casa em Esmirna, na Turquia.

5.

Nunski
Wendigo
Chili Com Carne

A partir de um conto de Algernon Blackwood, com uma expedição de caça ao alce como centro do enredo, o português Nunski cria uma narrativa estruturada num magistral trabalho visual onde se cruzam o enfrentamento entre o ser humano e a natureza e um mergulho no abismo do inconsciente.

6.

António Franco Alexandre
Os Objectos Principais
Assírio & Alvim

Originalmente publicado em 1979, há muito que este livro andava arredado dos escaparates. Regressa agora, com prefácio de Joana Matos Frias, mantendo o assombro dos versos iniciais: «poderemos, um dia, amar estas vitrinas / como quem ama uma ideia imperdoável, ou uma / breve hesitação dos condutores / a meio do percurso?»


 

Navegar é preciso

Doze caixas perdidas Torre Tombo

 

«Em 1974, o Exército criou uma Comissão de Verdade para investigar os crimes da PIDE/DGS. Recolheu milhares de provas de violações dos direitos humanos. Esta documentação estava perdida há mais de 30 anos na Torre do Tombo.»  É a partir desta documentação de algum modo esquecida que a jornalista Maria José Oliveira inicia o trabalho de investigação que conduziu a uma série de reportagens e podcasts que podem conhecer-se no site do jornal Público, tudo a partir da abertura de uma das muitas caixas de documentação, aberta pelo arquivista Paulo Tremoceiro, ponto de arranque deste trabalho: «Em Vila Cabral, Nampula e Montepuez, como também em Quelimane, Beira, Tete ou Maputo, instalados em quartéis ou nos antigos edifícios da PIDE (como a “Vila Algarve”, delegação na capital), dezenas de militares começaram em finais de Maio de 1974 a trabalhar exclusivamente na “Comissão de apuramento de responsabilidades criminais de elementos da extinta PIDE/DGS” (aparentemente não existia uma única designação para este organismo, existindo documentos em que surge também como “Comissão para a investigação das queixas contra elementos da ex-DGS” ou “Comissão de Saneamento e Investigação”).»

Com o título PIDE/DGS em Moçambique, este trabalho tem vindo a ser disponibilizado à razão de um episódio por semana na edição digital do jornal, bem como em várias plataformas de escuta de podcasts, acompanhado da respectiva versão em reportagem escrita nas páginas do Público. Os textos escritos são de Maria José Oliveira e nos podcasts a equipa cresce, com Ruben Martins assinando o guião, as entrevistas e a narração, Daniel Leitão assegurando a sonoplastia e Inês Rocha fazendo a revisão de texto. Ainda sem conclusão, e com o ritmo de publicação a estender-se até 3 de Agosto, não é cedo para afirmar que este trabalho é fundamental para se conhecer a actuação do Estado português, através da sua polícia política, numa dos territórios colonizados por Portugal, mas também para dar a compreender o tanto que ainda há por estudar em arquivos vários e, até, em documentação dispersa que ainda aguarda classificação. 

O que ficamos a conhecer sobre a actuação da PIDE/DGS em Moçambique é aterrador e, ainda que possa não surpreender quem tenha consciência da brutalidade deste orgão do Estado português em tempos coloniais, a especificidade das perseguições, das conivências, do modus operandi e dos métodos de tortura, bem como da urgência em tudo esconder assim que se dá o 25 de Abril, são revelações que até agora estavam ocultadas pelo tempo e pelo pó dos arquivos. Agora, vão sendo desvendadas todas as semanas, podemos lê-las e escutá-las devidamente contextualizadas, pelo que importa não voltar a deixá-las cair no esquecimento.