Os moradores da Zona A dos Novos Aterros estão preocupados com a falta de infraestruturas comunitárias, nomeadamente de restauração e de transportes públicos. Entre os pedidos ao Governo, os residentes querem restaurantes, cabeleireiros e autocarros nocturnos, bem como uma sinalização clara sobre mudanças de percurso, uma vez que há frequentes alterações ao trânsito na Zona A.
A falta de restaurantes, lojas e transportes públicos continua a ser motivo de queixas dos moradores da Zona A dos Novos Aterros, zona que começou a acolher habitantes desde o final do ano passado.
Vários residentes que vivem agora na Zona A ligaram ontem ao programa matutino, “Fórum Macau”, da Rádio Macau em língua chinesa, para abordarem a inconveniência na vida quotidiana devido à carência das infraestruturas comunitárias.
Um residente de apelido Chan descreveu que viver na Zona A é “terrível”. “As infraestruturas e os serviços na zona são insuficientes. Só temos um supermercado, uma farmácia e um estabelecimento de comida a vender pratos prontos”, indicou Chan, acrescentando que a sua família não costuma cozinhar em casa e tem de apanhar o autocarro ou ir de carro para fora da Zona A só para conseguir comprar comida, mesmo em horários não muito tardios, como antes das 22h.
No que diz respeito ao serviço de restauração, o residente revelou ainda que a taxa para entrega de comida até à Zona A é bastante elevada, pelo que encomendar comida também não é a escolha ideal para quem não cozinha em casa. Segundo referiu, o valor mínimo para pedidos de comida ao domicílio chega a 100 patacas, mais do dobro do praticado na Península de Macau.
O mesmo residente espera que, nesse sentido, o Governo acelere os concursos públicos para atrair restaurantes de ‘fast-food’, cabeleireiros e pontos de recolha de encomendas online para se instalarem na Zona A.
Por sua vez, uma residente de apelido Wong, que está prestes a mudar-se para uma unidade de habitação pública na Zona A, destacou a dificuldade de apanhar autocarros públicos, nas horas de ponta, para entrar ou sair da zona. “Nas horas de ponta, é impossível conseguir entrar no autocarro de algumas carreiras ou sair da Zona A. Os autocarros estão sempre cheios de trabalhadores, moradores da zona e operários da construção civil. Ninguém consegue sequer pôr um pé dentro do autocarro”, lamentou.
Wong sugeriu aumentar, o mais rápido possível, o número de carreiras e de paragens de autocarro, bem como criar uma ou duas carreiras de autocarros nocturnos. Referiu ainda que a Zona A sofre frequentes alterações no traçado das estradas, faltando indicações claras de caminho. Apelou, assim, ao Governo para melhorar a sinalização e a divulgação de informações actualizadas sempre que existam mudanças de percurso rodoviário.
Si Iat, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, partilhou a mesma opinião e instou o Governo a aumentar as carreiras e frequências de autocarros que ligam à Zona A. “Várias linhas de autocarro poderiam fazer mais paragens na Zona A. Temos a certeza de que os idosos precisam de ir a consultas médicas regulares, será possível criar uma carreira que parta directamente da Zona A ao Centro Hospitalar Conde de São Januário?”, sugeriu.
O vogal manifestou ainda a sua preocupação com a aproximação da estação das chuvas e do calor, propondo às autoridades que optimizem as condições das paragens de autocarro, além de criar carreiras nocturnas.
Recorde-se que o Instituto de Habitação lançou recentemente o concurso público para o arrendamento de espaços comerciais na Habitação Pública. Entre 23 espaços comerciais submetidos ao concurso para a adjudicação, cinco situam-se na Zona A, no rés-do-chão do Edifício Tong Kai, incluindo uma loja de bebidas e comida, uma loja de conveniência e três lojas para actividade comercial geral. O prazo de arrendamento é de 6 meses, com isenção de renda nos primeiros 3 meses.
O Instituto de Habitação, numa declaração enviada ao canal chinês da Rádio Macau, indicou que o concurso tem como objectivo melhorar as infraestruturas comerciais e de serviços nas zonas de habitação social. No passado foram também disponibilizadas medidas de incentivo com o intuito de apoiar os comerciantes, compensando os custos de remodelação e preparação antes da abertura das lojas, bem como o impacto da escassez de clientes na fase inicial de funcionamento, salientou.












