Serviços de Saúde reforçam rastreio de viajantes vindos de países afectados pelo vírus ébola

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Macau vai intensificar as medidas de prevenção e controlo de doenças transmissíveis nos postos fronteiriços e instituições médicas do território, face ao surto de ébola que surgiu na República Democrática do Congo. No entanto, as autoridades garantem que o risco para Macau é “baixo” e que os residentes “não precisam de se preocupar demasiado”.

 

Os Serviços de Saúde anunciaram que vão reforçar o rastreio dos visitantes oriundos ou que tenham passado por regiões africanas actualmente afectadas por surtos de ébola, como a República Democrática do Congo ou o Uganda.

Num comunicado divulgado ontem, as autoridades anunciaram que os profissionais de saúde de Macau foram também incentivados a reforçar a atenção ao histórico de viagens dos doentes e aos sintomas associados à doença, identificando atempadamente os casos suspeitos e aplicado rigorosamente as medidas de controlo. Sublinha-se que as instituições de saúde do território “têm capacidade para lidar com doenças transmissíveis de alto risco, incluindo instalações de isolamento e condições de teste” que permitem a realização de “testes preliminares e tratamento clínico para casos suspeitos”.

No que diz respeito ao controlo nos postos fronteiriços, os Serviços de Saúde recordam que Macau dispõe de “um mecanismo aperfeiçoado de monitorização de doenças transmissíveis e de quarentena nos postos fronteiriços”, incluindo a medição da temperatura corporal e a avaliação do estado de saúde. A resposta ao mais recente surto de ébola, que já provocou cerca de 80 mortes e 250 casos suspeitos no Congo, passa principalmente pelo reforço do rastreio de saúde dos viajantes que tenham vindo ou que tenham feito escala no país em questão. Dizem as autoridades que, “caso sejam detectados casos suspeitos, os mesmos serão enviados de imediato para as instituições médicas para isolamento e exames mais aprofundados”.

Recorde-se que os Serviços de Saúde organizaram, em Setembro do ano passado, uma simulação de prevenção e controlo de doenças transmitidas por contacto no posto fronteiriço da Ponte Hong Kong – Zhuhai – Macau e no Edifício de Especialidade de Saúde Pública do Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ). Na ocasião, foram testadas e optimizadas a coordenação da comunicação interdepartamental, a segurança do transporte dos pacientes e a capacidade de resposta das instituições médicas a casos de emergência.

Dirigindo-se à população em geral, o comunicado dos Serviços de Saúde aconselha ainda os residentes a manterem bons hábitos de higiene pessoal e a evitarem o contacto com animais selvagens e fluidos corporais de doentes, caso se desloquem para as regiões afectadas. Quem desenvolver sintomas como febre, vómitos ou hemorragias ao regressar a Macau deve procurar assistência médica com a maior urgência possível, fazendo questão de informar o médico sobre o seu histórico de viagens.

Apesar das medidas ontem anunciadas, os Serviços de Saúde garantem que “o risco imediato deste vírus para Macau é baixo”, uma vez que a circulação de pessoas entre o território e as regiões afectadas é “limitada”. Não obstante, e tendo em conta “a circulação frequente de pessoas a nível internacional”, as autoridades asseveram que continuarão a avaliar a evolução da pandemia e a dinamizar esforços para prevenir a importação do vírus.

“Os Serviços de Saúde salientam que vão continuar a manter uma estreita comunicação com a Organização Mundial de Saúde e as autoridades de saúde das regiões relevantes, acompanhando o desenvolvimento da epidemia, ajustando atempadamente as medidas de prevenção e controlo de acordo com a avaliação de riscos, envidando todos os esforços para garantir a saúde e a segurança da saúde pública dos residentes”, lê-se no comunicado.

No passado sábado, a Organização Mundial de Saúde classificou o surto de ébola no Congo e no Uganda como “uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”. O risco de propagação é significativo para os países vizinhos, como o Sudão do Sul e o Ruanda, mas baixo num contexto internacional. Até ao momento, nunca foi registado qualquer caso de ébola em Macau.

 

Hong Kong reforça controlo a viajantes vindos de África face a surto de ébola

 

O Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto vindos de África, ao surto de ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) e no Uganda. O Serviço para a Protecção da Saúde (CHP, na sigla em inglês) da região disse que tinha sido implementado o mais baixo dos três níveis de alerta previstos no plano de resposta a surtos e confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto. O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes e realizar avaliações médicas em viajantes que apresentem sintomas”, explicou o CHP. Apesar da medida, as autoridades sublinharam que nunca foi registado em Hong Kong qualquer caso de ébola e que não existem voos directos entre o território e a RDCongo ou o Uganda. “O CHP consultou o sector e descobriu que os viajantes provenientes destas regiões optam geralmente por fazer escala em Adis Abeba, a capital da Etiópia”, refere o comunicado, divulgado no domingo à noite.