Com o aumento crescente de casos de burla telefónica e pela internet, o Gabinete do Secretário para a Segurança lançou um apelo na sua página para que a população seja mais cuidadosa na forma como envia dados pessoais, responde a mensagens de desconhecidos e compra produtos ou serviços online. Sobretudo, é preciso muito cuidado com qualquer promoção de investimento, mensagens ‘phishing’ com links e sites clonados, avisam as autoridades.
Nos primeiros oito meses do ano houve 240 casos de burla telefónica, 2,3 vezes mais do que em 2022, revelou a Polícia Judiciária (PJ), sendo que 60% destas situações estavam relacionadas com telefonemas de alguém a fazer-se passar por um funcionário do Governo. Também duplicaram os casos de ‘nude chat’, em que desconhecidos, depois de conseguirem que as vítimas lhes enviem fotografias nuas, tentam extorquir dinheiro. Até à data, os 68 casos denunciados representaram um prejuízo de mais de 160 milhões de patacas, quase o dobro do ano anterior, alertou o Gabinete do Secretariado para a Segurança.
Também continuam a aumentar os casos de burla através da Internet. Num aumento de 23%, os 488 casos de burla cibernética foram maioritariamente relacionados com ofertas investimento online ‘Sha zhu pan’, plataformas de namoro online, compras online de produtos, vendas de bilhetes de concertos, aumento do registo de encomendas, entre outros. Só em furtos de dados de cartões de crédito através de compras online, houve 216 casos, 1,4 vezes mais do que em 2022. Muitos destes furtos foram realizados através de websites falsos que se fazem passar por conhecidas plataformas online. “A maioria das actividades sociais, de comunicações e de compras do público em geral são feitas via internet, o que tem criado oportunidades para que sejam praticados crimes”, argumentaram por um lado as autoridades, salientando que, por outro, continua a haver muita falta de “sensibilidade” da parte dos utilizadores destes serviços. “Fundamentalmente, a principal razão da alta ocorrência de burlas é a escassa sensibilidade de uma parte da população na prevenção de burlas. Embora a polícia, os serviços e as entidades governamentais competentes e as associações particulares divulguem alertas e efectuem acções de sensibilização, de forma plena e ininterrupta, uma parte da população ainda não está atenta, caindo em armadilhas de burla extremamente comuns, e algumas pessoas até são convencidas a participar no crime sem saberem que estão a ser burladas”.
Um exemplo claro são os grupos ‘Sha Zhu Pan’. Estes grupos criminosos recorrem a plataformas sociais e de encontros amorosos para se tornarem amigos das vítimas, fazendo-se muitas vezes passar por pessoas conhecidas do público, e fazendo publicações enganosas. Estas supostas “personalidades ou especialistas na área financeira que ensinam estratégias de investimento” seduzem as vítimas a se juntarem a grupos de “WeChat” e outras plataformas de comunicação. São nestes grupos que continuam a enganar a vítima, divulgando informações falsas sobre lucros para induzir a falsos investimentos e assim concretizar a burla, esclareceram as autoridades.
Outras estratégias comuns são as mensagens por telemóvel, em que os burlões fingem ser pessoas conhecidas da vítima. Graças à possibilidade de saberem detalhes da vida das vítimas, conseguem convencê-las de que estão a falar com amigos, levando-as depois a fazer investimentos falsos. Uma outra forma de ludibriar as vítimas consiste em enviar mensagens aleatórias em que se finge ser funcionário de um banco ou empresa de investimento, e se propõe ao cliente fazer investimentos com ganhos fáceis através de um link mencionado no texto da mensagem telefónica.
As páginas de internet de ‘phishing’, assim como falsas aplicações para telemóveis de instituições financeiras, têm recentemente aumentando, alertou ainda o mesmo comunicado. Os criminosos colocam estas páginas no topo dos resultados dos motores de busca, ou inserem ligações para páginas falsas nas plataformas sociais, conseguindo assim fazer com que as pessoas acedam a estes websites sem terem conhecimento de que estes são falsos, levando-as a inserir os dados bancários como se de um website verdadeiro se tratasse.
Face a estas situações, o Gabinete do Secretário para a Segurança publicou na sua página algumas recomendações de medidas de precaução. Nunca se deve clicar em links de websites suspeitos, fazer “irreflectidamentre a leitura de um código QR”, e aconselha-se vigilância redobrada sobre os dados pessoais, reforçando a protecção dos mesmos através de mecanismos como o código de verificação e a autenticação de dois factores nas contas online. As autoridades recomendam ainda que, em caso de suspeita de burla, se denuncie de imediato a situação às autoridades.











