Mês de Abril foi o segundo mais quente de sempre em Macau

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

O mês passado terminou com a segunda temperatura média mais elevada para Abril desde que há registos: 24,3 graus Celsius. Os dados dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG) indicam que as temperaturas médias têm vindo a aumentar gradualmente na região, assim como a ocorrência de outros fenómenos meteorológicos extremos.

 

O mês de Abril terminou com uma temperatura média de 24,3 graus Celsius em Macau – o segundo valor mais elevado de sempre no mês em questão, segundo os dados disponibilizados pela Direcção dos Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). O ano de 2024 continua a manter o recorde referente ao quarto mês do ano, com uma temperatura média de 25,4 graus Celsius.

As temperaturas mínimas e as máximas também registaram valores médios muito superiores aos habituais, com as máximas a rondar os 26,9 graus e as mínimas os 22,5 graus Celsius. O aumento das temperaturas coincidiu com a diminuição (mensal e anual) das horas de céu descoberto, como é possível verificar nos dados publicados pelas autoridades. Ao longo do mês passado, contabilizaram-se apenas 80,1 horas de insolação – menos 78,9 horas do que em Março e menos 133,9 horas do que no mês homólogo de 2025.

Também a região vizinha registou “um mês de Abril excepcionalmente quente”, como informa o Observatório de Hong Kong em comunicado publicado esta terça-feira na sua página oficial. “A temperatura mínima média mensal de 23,8 graus, a temperatura média de 25,5 graus e a temperatura máxima média de 27,9 graus ficaram, respectivamente, 2,7 graus, 2,5 graus e 2,3 graus acima dos valores normais correspondentes”, anunciou a agência meteorológica, frisando que todos estes três valores “foram os segundos mais elevados de sempre para o mês de Abril”.

O fenómeno é atribuído às temperaturas médias na parte norte do Mar do Sul da China, que este ano ficaram “acima do normal”, e ao fluxo de ventos de sul “mais forte do que o habitual” na baixa atmosfera – combinação que contribui igualmente para o aumento da nebulosidade e a probabilidade de ocorrência de chuvas. Segundo o Observatório de Hong Kong, a precipitação mensal foi de 160,4 milímetros, cerca de 5% acima da média de referência de 153 milímetros. Para além disso, “a precipitação acumulada registada nos primeiros quatro meses do ano foi de 359,6 milímetros, cerca de 20% acima da média normal de 300,4 milímetros para o mesmo período”, refere o organismo.

Em Macau, Abril foi um mês menos chuvoso. A precipitação total foi de 136,8 milímetros, mais 17,4 do que em Março, mas um decréscimo de 14,8 milímetros comparativamente ao ano passado. O valor fica também abaixo do valor de referência para Abril, na ordem dos 153,5 milímetros.

 

EVENTOS EXTREMOS CADA VEZ MAIS FREQUENTES

 

A página dos SMG disponibiliza uma tabela com os valores médios referentes a diferentes períodos de 30 anos, desde 1961 a 2020. A tabela mais recente, que compreende o período entre 1991 e 2020, indica que a temperatura média para o mês de Abril é de 22,3 graus Celsius, enquanto a insolação dura geralmente 94,6 horas. De acordo com esta tabela, o mês mais quente é o de Julho, com uma temperatura média de 28,4 graus.

Olhando para os quatro gráficos presentes na página dos SMG, constata-se que a temperatura média anual tem vindo a aumentar gradualmente. A média inicial de 22,3 graus, referente ao período entre 1961 e 1990, aumentou depois para 22,4 (entre 1971 e 2000), para 22,6 (entre 1981 e 2010) e, por fim, para 22,8 (entre 1991 e 2020).

No ano passado, recorde-se, a temperatura geral em Macau foi de 23,2 graus Celsius, fazendo deste ano o quinto ano mais quente desde 1952. O número total de dias quentes foi de 37, superior aos valores médios climáticos de 31,3 dias; por outro lado, os 27 dias de tempo frio ficaram abaixo dos valores médios climáticos de 39,1 dias. Este não foi o único fenómeno meteorológico extremo a atingir Macau: no ano passado, o território foi afectado por 14 tempestades tropicais, um número nunca antes visto desde que há registos. Também num evento inédito à região, o sinal de tempestade tropical n.º 10 foi emitido duas vezes no mesmo ano.

Numa nota emitida no final de 2025, os SMG reconheceram que “o aumento contínuo das temperaturas globais, o aumento do calor nos oceanos, a subida do nível do mar e o degelo acelerado dos glaciares estão a amplificar ainda mais o risco de desastres meteorológicos”. O balanço das autoridades antecipava que, “no contexto do aquecimento global, os eventos de altas temperaturas em Macau [iriam] tornar-se cada vez mais frequentes”.