O Centro de Prevenção e Controlo da Doença dos Serviços de Saúde e o IAS estão a dar início a uma campanha de sensibilização sobre a praga do “percevejo da cama”, apelando a que quem viaje para fora do território tenha cuidados redobrados para que estes passageiros indesejados não voltem nas malas no regresso a casa.
Não causam doenças, mas são uma praga incómoda que tem vindo a causar comichão pelo mundo inteiro, com vários casos de proliferação do chamado ‘bed bug’, o percevejo da cama, a atingir alguns países vizinhos como Singapura ou Indonésia, mas também na Europa, Estados Unidos e no Canadá. Em resposta aos recentes surtos de percevejos, em coordenação com o Centro de Prevenção e Controlo da Doença dos Serviços de Saúde o Instituto de Acção Social (IAS), está a planear a realização de palestras relevantes para o pessoal que trabalha em alojamentos sociais, onde se procederá ao esclarecimento de medidas de prevenção de percevejos e demonstração de métodos de detecção de percevejos no local.
A iniciativa visa melhorar a capacidade de prevenção e resposta destes funcionários, já que se estes detectarem antecipadamente a presença de percevejos e implementarem as correspondentes medidas de intervenção, conseguir-se-á reduzir o risco de surtos colectivos e salvaguardar o bem-estar dos utentes dos serviços sociais, indicou o IAS em comunicado.
Por seu turno, os Serviços de Saúde também estão a divulgar indicações de como tratar as picadas caso a pessoa seja mordida por um destes insectos do tamanho de uma semente de maçã. Esclarecendo que a reacção à picada de percevejos varia de pessoa para pessoa, e que o sintoma mais comum é comichão após a picada, os SSM asseguraram que o desconforto das picadas normalmente desaparece dentro de duas semanas, e que basta evitar coçar a zona afectada e manter a pele limpa para evitar infecções secundárias. O tratamento dirigido aos sintomas pode aliviar o desconforto, e as pessoas que apresentem reacções alérgicas graves após a picada, devem recorrer ao tratamento médico, recomendaram ainda as autoridades.
Normalmente, os percevejos escondem-se em fendas de camas, móveis e paredes, e são transportados de um lado para o outro através de objectos como malas, vestuário, roupas de cama e móveis. Nesse sentido, ao viajar para o exterior, a pessoa, ao chegar ao local onde vai ficar hospedada, deve verificar cuidadosamente se existem percevejos nas rachaduras e fendas da cama e do sofá. Quanto às malas, estas devem ser mantidas fechadas e evitar ser colocadas no chão, apenas retirando as roupas e os objectos das malas quando necessário. No regresso a Macau, recomenda-se ainda que se verifiquem as rodas e os cantos escuros das malas, bem como as roupas que se trazem vestidas para ver se há percevejos. Se houver vestígios de percevejos, a roupa e objectos têm de ser lavados com água quente e vapor.
As autoridades também têm transmitido indicações aos trabalhadores do sector hoteleiro. Sempre que se procede à limpeza do quarto, deve-se verificar minuciosamente se existem percevejos escondidos. Em caso de detecção de vestígios de percevejos, deve-se verificar a existência ou não de propagação aos quartos adjacentes. No caso de serem encontrados percevejos nas roupas de cama, como lençóis, colchas ou almofadas, estas devem ser lavadas com água quente não inferior a 60ºC e secadas. Para as rachaduras e fendas dos móveis grandes como camas ou sofás, os trabalhadores devem recorrer a jactos de vapor a fim de eliminar os percevejos e os seus ovos. Caso o papel de parede dos quartos esteja danificado, deve ser substituído o mais rápido possível, preenchendo as fendas para evitar que os percevejos ali se escondam. Recomenda-se o uso de um insecticida piretróide como medida preventiva, devendo recorrer-se a uma empresa profissional de desinfestação caso a situação dos percevejos seja grave.
O ciclo de vida do “Cimex lectularius” tem três fases: ovo, ninfa e adulto. Os ovos dos percevejos têm o tamanho de uma cabeça de alfinete e são brancos como uma pérola; as ninfas pequenas são translúcidas ou branco-amareladas; e os adultos têm, em média, cinco milímetros de comprimento, são de formato oval, achatados dorsoventralmente, sendo a sua maioria de cor castanha avermelhada. Os percevejos de cama alimentam-se principalmente do sangue humano, esclareceram ainda as autoridades.











