A escolha de Portugal como a primeira paragem de uma viagem internacional do Chefe de Executivo da RAEM é “simbólica” e representativa de uma boa fase de cooperação entre o país europeu e Macau, dizem o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, e o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, no terceiro dia da visita de Sam Hou Fai ao país europeu.
Uma visita “crucial” e “simbólica”, que servirá para reafirmar a estabilidade das relações entre Portugal e Macau, com portas abertas para o diálogo. Foi assim que Sam Hou Fai, o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa e o embaixador da China em Portugal, Yang Yirui, se referiram à vinda oficial do Chefe do Executivo a Lisboa, nos seus discursos oficiais, na abertura da exposição “Macau: êxitos de ‘um país, dois sistemas’”, que teve lugar no Pavilhão Meo Arena, na segunda-feira.
Para o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, num momento em que “as autoridades portuguesas têm voltado a dirigir uma especial atenção a Macau e à China”, referindo-se às visitas oficiais recentes ao território, a vinda de Sam Hou Fai a Lisboa “tem um significado único”.
Num discurso que teve lugar no terceiro dia da visita oficial do Chefe do Executivo a Portugal, José Cesário referiu ainda que em cima da mesa estarão, necessariamente, temas como a luta pela paz, do entendimento entre os povos e da melhoria da relação política e económica e cultural entre os dois territórios. Além disso, destacou que “as especificidades e relevância das comunidades portuguesas em Macau e na China e das comunidades macaenses e chinesas em Portugal” são questões que requerem acompanhamento permanente, “sendo essencial dar uns passos, no sentido de facilitar ainda mais o fluxo humano entre os nossos países e os nossos territórios”.
Por seu turno, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, interpretou a escolha de Portugal como destino da primeira visita oficial ao estrangeiro de Sam Hou Fai como um “sinal inequívoco da importância que Portugal continua a ocupar no quadro das relações da RAEM”.
Salientando, no seu discurso oficial, que agora começa uma nova etapa das relações entre Portugal e Macau, enquadrada num contexto distinto, o governante manifestou a determinação do Governo de Portugal em “aprofundar a cooperação com Macau”. E, dentro desse contexto, mencionou ainda a importância da comunidade portuguesa residente em Macau, que “constitui um dos pilares fundamentais desta relação entre as nossas sociedades”.
O governante espera que desta visita oficial nasçam novas oportunidades para cooperação entre os dois territórios, que se podem estender a vários domínios, como a economia, ensino superior, ciência, Direito, artes e academia. Destaca ainda a existência de “áreas com elevado potencial de desenvolvimento comum”, podendo resultar daqui o aprofundamento de parcerias e a promoção de investimentos.
“Um país, dois sistemas”, em Portugal
Na abertura da exposição “Macau: êxitos de ‘um país, dois sistemas’”, Sam Hou Fai aproveitou para destacar a celebração do 27.º aniversário da transferência de administração de Macau e a implementação “de forma plena e precisa” do princípio “um país, dois sistemas”, com o território a ser governando pelas suas gentes “com alto grau de autonomia”.
Na abertura da exposição, que inclui imagens e testemunhos, em vídeo, de figuras relacionadas com o processo de transferência de administração e retrata “as mudanças e êxitos” de Macau desde a transferência de administração, Sam Hou Fai garantiu que sempre se zelou “pela defesa do princípio ‘um país’, aproveitando as vantagens dos ‘dois sistemas’”.
No fim, referiu a “profunda ligação histórica e vínculo humano” entre a RAEM e Portugal, agradecendo “ao Governo português pela sua atenção e apoio a Macau ao longo dos anos, bem como aos nossos conterrâneos de Macau, residentes em Portugal, e aos habitantes locais de origem portuguesa pelo seu contributo positivo para o fortalecimento dos laços de amizade entre as duas partes”.
Também o embaixador da China em Portugal, Yang Yirui, destacou a “amizade profunda” entre os dois países e destacou o papel “importante de Macau como plataforma” para o mundo em português.
No fim do evento, deu-se uma recepção oficial, com a assinatura de 18 acordos de cooperação, que envolvem domínios como a plataforma sino-portuguesa, comércio e economia, indústria de tecnologia de ponta, turismo, educação, ‘big health’, bem como a indústria de convenções, exposições e comércio, e de cultura e desporto.
Falar sobre os portugueses e os BIR
Inquirido pelo PONTO FINAL, à margem do discurso oficial, sobre a permanência no território da comunidade portuguesa e as questões que mais a afectam, como a demora na atribuição do Bilhete de Identidade de Residente da RAEM, o presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da República de Portugal, José Cesário, referiu que este “é um momento para continuar a conversar e para dialogar sempre”, procurando definir “pontos de encontro”, não havendo nenhuma razão para haver separações. Salientando que esta visita do Chefe do Executivo é “crucial”, referiu que também o é para discutir os diferentes temas que estão em cima da mesa. “Desde as questões geopolíticas e económicas às questões culturais, passando também por esses pontos, que têm a ver com a mobilidade dos cidadãos e com a presença dos chineses e macaenses cá [Portugal] e dos portugueses em Macau”, referiu.
Seguro recebe Sam Hou Fai em Belém para “reforçar a relação”
O Presidente da República, António José Seguro, recebeu ontem o chefe do Governo de Macau, Sam Hou Fai, numa audiência para “reforçar a relação” com a China e Macau, anunciou a Presidência portuguesa. “Esta reunião serviu para reforçar a relação de confiança e aprofundar o relacionamento com a China e com a RAE Macau”, lê-se na nota divulgada no sítio de Internet da Presidência. António José Seguro valorizou o respeito pela identidade de Macau, reconhecendo o papel do território asiático na promoção da cultura e do património da região macaense. Também referiu a importância da Escola Portuguesa de Macau e da promoção da língua portuguesa enquanto uma das línguas oficiais de Macau. Segundo a nota, o chefe de Estado português considerou ser “essencial que continue a haver cumprimento pleno do quadro jurídico decorrente do processo de transferência da administração de Macau e que assegure a harmonia desta com as disposições jurídicas de Macau, nomeadamente no que toca ao respeito e proteção dos direitos, liberdades e garantias”.











