A selecção de futebol de Macau deslocou-se até Ruanda, em África, para disputar a série de jogos organizada pela FIFA (FIFA Series).
Quando se fala da viagem de Macau, muitos adeptos ainda sentem algum pesar. Desde o escândalo da desistência do Mundial há vários anos, aliado à chegada da pandemia do século, o futebol de Macau parece ter entrado num longo período de estagnação; no entanto, ficar preso ao passado não permite construir o futuro. Esta viagem a África, para além de ser uma transposição geográfica, representa também uma transformação de mentalidade: todas as partes devem, através da comunicação e da compreensão, procurar pontos em comum e aceitar as diferenças, demonstrando a determinação de sair da sombra e recomeçar.
Nos últimos anos, a chama da esperança do futebol de Macau tem ardido nas camadas jovens: quer seja na competição acirrada dos torneios escolares locais, quer no desempenho das equipas de base, tudo tem sido impressionante; em particular, no empate com a Palestina nas eliminatórias para a Taça da Ásia Sub-20 e na derrota por dois golos contra a Austrália, numa partida de nível superior, a capacidade de execução tática e o espírito de luta demonstrados pela geração mais jovem provaram que os jogadores de Macau não precisam de se menosprezar. No entanto, quando esta energia se transfere para a seleção principal, verifica-se uma lacuna; a falta de transição entre as gerações torna difícil a evolução, e este é precisamente o ponto-chave a observar nesta digressão.
Desta vez, a selecção de Macau, sob a coordenação da Federação de Futebol, conseguiu finalmente concretizar a viagem para enfrentar Aruba, da América Central e do Norte, e a Tanzânia, de África (infelizmente, não foi possível defrontar o Liechtenstein, da Europa). Com uma equipa composta principalmente por jogadores jovens, complementada pelos veteranos Ho Man Fai, Cheong Hoi San, Leong Ka Hang e Nuno Pereira, os jogadores de Macau tiveram uma lição prática de futebol difícil de encontrar, ao enfrentarem o estilo de jogo forte e vigoroso dos jogadores americanos e africanos!
Mesmo que, no jogo contra Aruba, a equipa tenha sofrido três golos logo no início, o que é digno de nota é que a equipa não entrou em colapso, tendo, pelo contrário, recuperado gradualmente o equilíbrio; em especial Leong Ka-hang, que regressou à seleção após uma ausência de 7 anos, marcou um golo de grande valor no final do jogo, o que constitui a melhor ilustração da resiliência que o futebol de Macau deve ter.
A série de torneios bienais da FIFA pode ser considerada uma das poucas «iniciativas positivas» que não suscitam controvérsia: quebra as barreiras intercontinentais e, sobretudo, proporciona às regiões com menor desenvolvimento futebolístico uma plataforma regular para confrontos internacionais. Este intercâmbio intercontinental não é apenas um aperfeiçoamento do nível competitivo, mas também um choque de culturas e estilos futebolísticos, com grande significado para promover o desenvolvimento equilibrado do futebol mundial.
Esta viagem a África não se centra, de forma alguma, em dois jogos de 90 minutos, mas sim em como analisar, refletir e aproveitar ao máximo o valor desta oportunidade. O que devemos ponderar é: o que aprendeu esta terra de futebol, em meio a adversidades prolongadas? Perante o resultado de 0-6 contra uma equipa que chegou aos oitavos-de-final da Taça Africana, reconhecer a distância que nos separa do resto do mundo não é motivo de vergonha: abraçar o mundo é o pré-requisito para progredir em conjunto com ele; enfrentar a realidade é a pedra angular para avançar em direção ao ideal. Esta expedição não é apenas uma participação, mas sim uma excelente oportunidade para analisar seriamente a integração dos recursos do futebol de Macau e a construção das categorias de base, bem como para procurar mais caminhos a seguir.
Futebol de Macau, continuem a dar o vosso melhor!










