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      Obra da Linha Leste do Metro Ligeiro deverá exceder orçamento, diz Raimundo  

      A construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, cuja conclusão está prevista para 2028 para ligar as Portas do Cerco, a Zona A e a Taipa, deverá ultrapassar o valor de orçamento e registar um atraso no prazo de execução. O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário voltou a frisar que Macau tem necessidade de desenvolver o Metro Ligeiro. Prevê-se ainda que as despesas de operação da Linha Leste sejam superiores à Linha da Taipa devido à sua área e às infraestruturas submarinas.

       

      O secretário para os Transportes e Obras Públicas admitiu que a construção da Linha Leste do Metro Ligeiro vai registar uma derrapagem em termos de orçamento e prazo de conclusão, nomeadamente nas obras de construção da estação ES1, que se liga à Praça das Portas do Cerco. Para a infraestrutura em geral e planeamento financeiro a longo prazo, Raimundo do Rosário salientou que o Metro Ligeiro é sem dúvida caro e não está a gerar lucros, mantendo, no entanto, uma posição firme relativamente ao funcionamento do Metro Ligeiro no território.

      Uma delegação do Executivo composta por Raimundo do Rosário e respectivos subordinados realizou ontem na Assembleia Legislativa uma sessão de apresentação do projecto do Plano de Pormenor da UOPG Este-2 e da Linha Leste do Metro Ligeiro. Perante as crónicas preocupações sobre o orçamento das obras e o problema de gestão do Metro Ligeiro, Raimundo do Rosário assumiu que o gasto para a rede é elevado, enquanto as tarifas são muito baratas.

      “No Metro Ligeiro, no final deste ano a viagem custa 1,5 patacas. Ninguém no mundo ganha dinheiro através do transporte público, é o Governo que está a pagar os bilhetes”, destacou, prosseguindo que está a pensar como “compensar” as perdas por meio da exploração comercial relativa ao Metro Ligeiro. O governante advertiu ainda que é impossível aumentar continuamente o número de autocarros no território dado que não há espaço suficiente para viajar e estacionar, pelo que o Metro Ligeiro deve ser a direcção do desenvolvimento do transporte de Macau.

      De acordo com Raimundo do Rosário, o plano inicial das autoridades é implementar a estação ES1 na zona de ordenamento de ‘mudflat’ perto do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e da Avenida Norte do Hipódromo. Entretanto, as autoridades estão a negociar com o interior da China para a concessão de utilização de um terreno em forma de V nesta zona e, caso seja alcançado com sucesso, a estação ES1 vai ser movida para se situar a cerca de 120 metros da Portas do Cerco.

      Como o aproveitamento do terreno ainda não foi concedido, o secretário adiantou que vai lançar o concurso público desta estação e, caso o pedido seja aprovado pelo Governo Central, vai mobilizar a estação. “Devem estar mentalmente preparados, devido à mudança de localização da estação, o projecto certamente terá tempo e valor acima do orçamento”, afirmou.

      A Linha Leste, que vai ligar a Península de Macau à Taipa, parte das Portas do Cerco, passando a Zona A dos Novos Aterros, que é agora a zona Este-2, a Zona E e chega ao Terminal Marítimo da Taipa, com um comprimento previsto de 7,65 km e seis estações subterrâneas, envolvendo a obra de um túnel marítimo entre a Zona A e a Taipa. A obra de construção está prevista para ser concluída em 2028.

      No plano inicial da Direcção dos Serviços de Obras Públicas, a concepção do interior das estações será adicionada com caraterísticas locais, como figuras históricas e culturais, incluindo as calçadas típicas portuguesas.

      Após a conclusão da Linha Leste, o comprimento total do Metro Ligeiro aumentará para 24 km. Segundo o Governo, a taxa de cobertura de transporte público irá subir de 3,3% para 16%, com um volume médio diário de passageiros de 137 mil pessoas. Recorde-se que a média diária da Linha da Taipa foi de 2.000 passageiros em 2021.

      Neste caso, o presidente do Conselho de Administração da Sociedade do Metro Ligeiro, Ho Cheong Kei, sublinhou que, embora a Linha Leste seja mais curta que a Linha da Taipa e tenha menos estações, prevê-se que as despesas de operação sejam ligeiramente superiores porque terá uma área total de estações três vezes superior face à Linha da Taipa e a manutenção das infraestruturas submarinas será mais cara.

      O secretário para os Transportes e Obras Públicas revelou ainda na ocasião que, após o actual projecto do plano de pormenor da UOPG Este-2, as autoridades vão divulgar mais projectos de cinco UOPG para consulta pública nos próximos dois anos.

       

      Raimundo pede conversa racional

       

      No final da sessão de apresentação decorrida ontem, o presidente da Assembleia Legislativa, Kou Hoi In, aproveitou a ocasião para elogiar os projectos bem planeados sobre a Zona A e do Metro Ligeiro, mas criticou também a capacidade de realização de orçamento das obras e pede mais transparência nas contas.

      Em resposta, o secretário Raimundo do Rosário confessou que não é possível avaliar de forma extremamente precisa os custos. “Posso ser mais transparente, se for uma conversa mais racional e normal entre as pessoas”, referiu o governante. Rosário lamentou ainda que algumas críticas são demasiado agressivas e afectaram a moral do pessoal da sua tutela. “O que fizemos bem, ninguém vê”, lamentou, acrescentando que, actualmente, o gasto excessivo das 51 obras com valor superior a cem milhões de patacas é de 0%.