Chan Lai Kei quer que intérpretes de língua gestual sejam mais valorizados em Macau

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O número de pessoas com deficiência auditiva em Macau aumentou 28,5% nos últimos dois anos, como consequência do envelhecimento da população. Numa interpelação escrita encaminhada ao Governo, o deputado Chan Lai Kei lamenta a escassez de intérpretes de língua gestual no território e sugere a criação de um sistema de certificação profissional.

O deputado Chan Lai Kei alertou para a insuficiência de serviços de interpretação de língua gestual em Macau, sugerindo a criação de programas de certificação profissional nesta área e a implementação de medidas que possibilitem uma “comunicação sem barreiras” e que reforcem o carácter inclusivo da região.

Numa interpelação escrita publicada na página electrónica da Aliança de Povo de Instituição de Macau, associação ligada à comunidade de Fujian, Chan Lai Kei começa por referir que, até Junho de 2025, havia um total de 19.283 titulares do cartão de registo de avaliação da deficiência em Macau. De acordo com dados do Instituto de Acção Social (IAS), 6.087 destas pessoas estavam registadas por deficiência auditiva, o que representa um total de 31,57% do total de requerentes e um aumento expressivo de 28,5% face a Junho de 2023.

Na mensagem endereçada ao Governo, o deputado considera que esta rápida evolução “está intrinsecamente ligada ao envelhecimento populacional cada vez mais acentuado de Macau” e vem agravar um problema que requer medidas urgentes. Por um lado, “a comunidade com deficiência auditiva congénita ou adquirida precocemente depende cada vez mais de intérpretes profissionais de língua gestual para a comunicação diária, cuidados médicos e acesso a informação”, refere. Por outro lado, como a aprendizagem da língua gestual na terceira idade pode constituir um desafio, é “urgente” criar “recursos tecnológicos visuais e inteligentes” que permitam ultrapassar as barreiras de comunicação.

“A língua gestual não é apenas a língua materna das pessoas com deficiência auditiva, mas também uma ponte crucial para a sua integração na sociedade e para o gozo de direitos iguais”, sublinha o deputado. Apesar da sua importância para a garantia de qualidade de vida da população com deficiência, existe em Macau “uma grave escassez de intérpretes profissionais de língua gestual”, motivada pela inexistência de “um sistema de progressão na carreira e de um mecanismo oficial de certificação profissional”.

Como resultado, denuncia Chan Lai Kei, as pessoas com deficiência auditiva enfrentam dificuldades em expressar-se no dia-a-dia e, também, no contexto de “comunicações médicas, jurídicas e de emergência”. O deputado faz ainda referência ao relatório das Linhas de Acção Governativa para o ano de 2026, em que o Governo se comprometia a optimizar a qualidade de vida da população e a prestar assistência aos residentes mais vulneráveis. “Sem profissionais de língua gestual em número suficiente e tecnologia de acessibilidade actualizada, estes princípios serão difíceis de implementar na comunidade com deficiência auditiva”, lamenta.

Exposta a situação, o deputado remete três questões ao Governo. A primeira relaciona-se com a necessidade de “melhorar a comunicação sem barreiras” na região, face ao crescente número de idosos (muitos deles com dificuldade em aprender língua gestual numa idade mais avançada) e de pessoas com deficiências auditivas. Face a este ponto, Chan Lai Kei pede ao Governo para “estabelecer estratégias de resposta direccionadas para a população idosa”, dando o exemplo de ferramentas inteligentes de assistência à comunicação, como a transcrição automática de voz para texto.

Num segundo ponto, o deputado nota que as competências em língua gestual são pouco procuradas no mercado de trabalho, “estando geralmente limitadas a organizações específicas de serviços sociais”. Os jovens interessados em aprender esta língua e enveredar pela profissão deparam-se, portanto, com “perspectivas de carreira incertas”, que poderão ameaçar as suas ambições profissionais e prejudicar o “ambiente inclusivo” da sociedade de Macau.

“Considerando as experiências das regiões vizinhas, assumirá o Governo da RAEM um papel de liderança, recrutando regularmente mais intérpretes de língua gestual ou estabelecendo programas de formação profissional relevantes no sistema de administração pública ou em instituições públicas, como tribunais, centros de atendimento e hospitais públicos?”, interroga.

Por fim, o deputado Chan Lai Kei propõe também que o Governo considere a criação e a inclusão de um “sistema de certificação da qualificação de intérpretes de língua gestual” no próximo “Plano Decenal de Acção para os Serviços de Reabilitação”, relativo ao período entre 2026 e 2035, de forma a reforçar a qualidade dos serviços e o estatuto da profissão.