A Universidade Politécnica de Macau e a Universidade de Coimbra lançaram oficialmente um Programa Conjunto de Investigação em Humanidades Digitais. O novo programa, apresentado durante as celebrações do 45.º aniversário da UPM, pretende construir um ecossistema multilingue de investigação, com foco na tecnologia linguística, digitalização do património cultural e inteligência artificial, destacando Macau como plataforma de intercâmbio académico entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
A Universidade Politécnica de Macau (UPM) e a Universidade de Coimbra (UC) deram um passo significativo no aprofundamento da sua colaboração estratégica com o lançamento oficial de um Programa Conjunto de Investigação em Humanidades Digitais. A cerimónia, que integrou as comemorações do 45.º aniversário da UPM, foi presidida pelo reitor da instituição de Macau, Marcus Im, e pelo vice-reitor da universidade portuguesa, Nuno Mendonça, marcando a expansão da parceria de mais de três décadas para uma nova frente de investigação interdisciplinar.
No seu discurso, Marcus Im sublinhou a evolução da cooperação entre as duas instituições, que passou da troca de quadros qualificados para a construção de laboratórios conjuntos em áreas como a cidade inteligente e a saúde digital. “O recém-lançado Programa de Humanidades Digitais assume uma missão significativa”, afirmou Im, explicando que o projecto se centrará nas tecnologias da linguagem e na construção de bases de dados de textos interlinguísticos, promovendo a inovação nas ciências humanas e sociais. Paralelamente, através de exposições digitais e experiências interactivas, o programa pretende estimular a divulgação e partilha de recursos multiculturais.
Por sua vez, Nuno Mendonça, vice-reitor da UC, enfatizou o carácter transformador das humanidades digitais no contexto actual. “Com a inteligência artificial a alterar profundamente o modo de investigação e de ensino, a ascensão das humanidades digitais não é apenas um desafio técnico, mas também um diálogo profundo que envolve ética e cultura”, referiu. Mendonça destacou o papel histórico da Universidade de Coimbra como ponte académica entre o Oriente e o Ocidente, expressando a intenção de integrar tecnologias linguísticas, indústrias criativas e investigação em património cultural através do actual programa inaugurado semana passada.
O programa conjunto terá como eixos principais a promoção de estudos sino-portugueses, que incluirão a digitalização de arquivos históricos, a investigação e desenvolvimento em modelos de linguagem portuguesa de grande escala e inteligência artificial, a revitalização digital do património cultural e a comunicação digital contemporânea. O projecto terá como objectivo desenvolver um ecossistema multilingue de humanidades digitais centrado no território, transcendendo restrições geográficas e caracterizando-se pela abertura, partilha e desenvolvimento sustentável.
O futuro desta cooperação está também ligado ao desenvolvimento da Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin, onde as duas universidades já assinaram um acordo para estabelecer uma base de cooperação no domínio do ensino superior. Nesse espaço, planeiam criar laboratórios académicos pioneiros em inovação tecnológica, que fundirão aspectos tradicionais e modernos.
Numa parceria que já carrega consigo 30 anos de história, a cerimónia de lançamento entre a UPM e a UC contou com a presença de várias figuras académicas de ambas as instituições, incluindo o director da Biblioteca Geral da UC, Manuel Portela, o diretor do Departamento de Engenharia Informática, António Mendes, e, da parte da UPM, o diretor da Faculdade de Línguas e Tradução, Gaspar Zhang.










