Vírus Nipah: Governo apela evitar viagens à Índia e admite reforçar inspecção nos postos fronteiriços

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Os Serviços de Saúde apelam aos residentes para evitarem deslocar-se à Índia devido aos recentes casos de infecção do vírus Nipah, doença zoonótica que pode ser fatal. O Governo admite o reforço de avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços para quem tenha historial de viagem relevante e apresente sintomas. Há agora cinco casos de Nipah na Bengala Ocidental, cuja infecção provoca sintomas similares aos da gripe na fase inicial.

A recente infecção do vírus Nipah na Índia, nomeadamente no Estado de Bengala Ocidental no Leste do país, está a preocupar as autoridades de Macau. Os Serviços de Saúde dizem estar atentos à evolução da situação e lançaram apelos aos cidadãos para evitarem deslocar-se àquela região.

Quanto aos residentes que se encontram já na Índia, o Governo alerta-os para tomarem medidas preventivas e, em caso de aparecerem sintomas de gripe após o regresso a Macau, devem recorrer ao médico o mais rápido possível e informar o seu historial de viagem e contacto.

Numa nota emitida ontem, os Serviços de Saúde confirmam que vai ser reforçada a avaliação e exames médicos nos postos fronteiriços para quem tenha historial de viagem e apresente sintomas por “uma questão de precaução”, apesar de não haver actualmente voos directos entre Macau e a Índia.

Segundo os Serviços de Saúde, cinco indivíduos na Bengala Ocidental, na Índia, foram diagnosticados com infecção do vírus Nipah, e as autoridades locais já tomaram medidas de contingência e a situação está ainda confinada ao local. Entretanto, alguns países que fazem fronteira já reforçaram a inspecção e o controlo sanitário nos aeroportos e postos fronteiriços.

As autoridades da Índia, de acordo com a agência Lusa, emitiram um alerta epidemiológico e confirmaram um novo surto do Nipah, que levou, para já, à quarentena de 190 pessoas. Admitiram também que podem surgir mais casos mais tarde, uma vez que o período de incubação do vírus Nipah estende até a 45 dias.

O vírus Nipah é um vírus zoonótico que pode ser fatal, tendo sido identificado pela primeira vez em 1999 e, nos últimos 20 anos, foram registadas várias infecções em humanos no Bangladesh e na Índia.

Os morcegos frugívoros são os hospedeiros naturais do vírus Nipah, sendo que a infecção apresenta uma taxa de mortalidade entre 40% e 75%.

Segundo os Serviços de Saúde, a doença pode ser transmitida aos seres humanos através de alimentos contaminados, geralmente frutas ou produtos derivados de frutas, ou através de contacto com porcos infectados, ou directamente entre as pessoas.

Os alimentos contaminados referem-se aos que tiverem contactos com urina, fezes ou saliva de morcegos infectados, explicaram as informações das autoridades sanitárias de Hong Kong, que alertam à população que evite, particularmente, o consumo da seiva crua de tamareira. Acrescentaram que a transmissão entre humanos é possível através do contacto próximo com secreções e excreções contaminadas de pessoas infectadas, o que também foi relatado na família do paciente e em ambientes de cuidados de saúde.

SEM VACINA NEM TRATAMENTO EFICAZ

 

Após a infecção do vírus Nipah, os pacientes podem apresentar infecção assintomática ou sub-clínica, doenças respiratórias agudas, encefalite fatal, entre outros. Os primeiros sintomas são similares aos da gripe, e nos casos mais graves podem apresentar dificuldades respiratórias, tonturas, sonolência, confusão mental, entre outros. O período de incubação varia geralmente entre quatro e 14 dias, sendo o máximo de 45 dias.

Actualmente, não há vacina nem tratamento eficaz contra o vírus Nipah, sublinham os Serviços de Saúde. A informação aponta que, neste momento, o tratamento baseia-se exclusivamente em cuidados de apoio.

As autoridades locais, desse modo, apelam aos cidadãos para se manterem em alerta e adoptarem uma boa higiene pessoal e ambiental. “Caso não seja estritamente necessário, deve-se evitar a deslocação a esse local de destino”, indicam.

Caso contrário, os cidadãos devem adoptar medidas para reduzir o risco de infecção quando viajarem, como “reforçar a higiene pessoal e alimentar, evitando o consumo de frutas ou produtos derivados de frutas insalubres”, “evitar o contacto com animais infectados e ir às quintas, habitats de morcegos, quintas de criação, entre outros”, bem como “evitar contactos com os doentes locais”, sublinha o Governo.

CAIXA

 

Hong Kong reforça controlo a viajantes vindos da Índia face a surto de vírus Nipah

O Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto da região chinesa vindos da Índia, após um novo surto do vírus hemorrágico Nipah. Num comunicado publicado na segunda-feira à noite, o director do Serviço para a Proteção da Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto. O objectivo é “realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame”, explicou o dirigente. Apesar da medida, Edwin Tsui sublinhou que, até à data não foi registado em Hong Kong nenhum caso de infeção pelo vírus Nipah e que não existem voos diretos entre o território e Calcutá, capital do estado indiano de Bengala Ocidental.