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      InícioSociedadeGrupo de residentes pede ajuda à deputada Wong Kit Cheng

      Grupo de residentes pede ajuda à deputada Wong Kit Cheng

      Um grupo de residentes entregou ontem à enfermeira, deputada e vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, Wong Kit Cheng, uma carta com diversas assinaturas onde pedem a intervenção da parlamentar junto do Governo para que seja mudada a política que “rouba da mãe o direito de estar com o bebé, tira o direito de amamentar e nega aos bebés o contacto mais importante com as mães”. A mãe, mulher e cidadã Raquel Bragança, primeira signatária da missiva, fala em “situação lamentável”.

      Uma carta entregue ontem, pelas 15h30, no gabinete da deputada da Assembleia Legislativa (AL) Wong Kit Cheng é clara e concisa. Um grupo de residentes de Macau pretende que o Governo acabe com a medida, recentemente criada, de separar mães dos seus bebés recém-nascidos devido, alegam os Serviços de Saúde, a contingências provocadas pela Covid-19.

      No texto da missiva, cuja primeira signatária é a mãe e cidadã Raquel Bragança, e que juntou meia centena de assinaturas em cerca de duas horas, pode ler-se que um grupo de residentes está preocupado com a recente notícia de que a política actual do Centro Hospitalar Conde de São Januário “é separar, sem motivo médico, mães e bebés imediatamente após o nascimento até que recebam alta”. Essa política, consideram os signatários, “rouba da mãe o direito de estar com o bebé, tira o direito de amamentar e nega aos bebés o contacto mais importante com as mães”.

      Em declarações à comunicação social, à porta do gabinete situado na Rua da Barca, Raquel Bragança demonstrou o seu apoio enquanto mãe, amiga e cidadã, reiterando que a situação não pode continuar. “Sou amiga de uma grávida que deu agora à luz e se encontra nesta situação lamentável, em que foi separada da sua bebé à nascença e por mais de 24h não teve contacto com a sua filha. Enquanto cidadã, mãe e mulher esta situação revoltou-me e decidi avançar com uma petição, uma carta, um pedido de ajuda à deputada Wong Kit Cheng para interceder pelas mulheres, pelos bebés, pelos direitos das parturientes, das mães, não só a amamentar, mas simplesmente a estar com os seus filhos como é seu direito”.

      A acompanhar Raquel estavam mais três mães. Uma delas, grávida à espera de ser mãe a qualquer momento, já havia falado com o PONTO FINAL. Cláudia Ferreira, também ela uma natural signatária, reiterou o seu ponto de vista. “Separar o recém-nascido na mãe é sempre algo muito violento. O contacto entre ambos é sempre muito importante e a amamentação durante as primeiras horas é fulcral para que todo o processo se desenvolva correctamente. Estou aqui para tentar lutar pelo meu direito de poder estar com a minha filha assim que ela nasça, e poder alimentá-la naturalmente e não através de bombas, porque não quero comprometer a amamentação”, referiu a mulher.

      Os residentes recorrem, deste modo, à deputada Wong Kit Cheng, ela que é igualmente enfermeira no hospital Kiang Wu e vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, para que, “na sua qualidade de defensora dos direitos da mulher em geral, e do direito à amamentação em particular, possa ajudar nesta triste situação, na esperança de que o Governo mude a política no hospital público com efeito imediato e permitir que mães estejam com seus bebés, pois é um direito básico”.

      Recorde-se que Wong Kit Cheng, em 2017, fez uma interpelação oral ao Governo da RAEM onde pedia que se desse mais importância ao desenvolvimento da amamentação em Macau.

      A iniciativa surge depois de nos últimos dias, nas redes sociais, diversas mães terem demonstrado repúdio pelas medidas implementadas pelas autoridades sanitárias do território. Num grupo de Facebook sobre maternidade, que o PONTO FINAL teve acesso, são diversos os comentários que condenam a política de separar mães dos seus bebés recém-nascidos. Uma das mães sugeriu que cada um, de forma individual, reclamasse junto do hospital público, questionando as medidas implementadas. De acordo com a publicação, diversas mães aderiram ao repto lançado e houve mesmo quem escrevesse que se deveria entregar uma carta dirigida a Ho Iat Seng na sede do Governo, expondo a situação.