Mozart em três actos. De um prodígio de oito anos a um génio consumado, a viagem musical de Wolfgang Amadeus Mozart será revisitada em três noites especiais em Macau. A Orquestra de Macau, acompanhada por três violinistas internacionais, apresenta em Janeiro o ciclo completo dos cinco concertos para violino do compositor, num programa que inclui uma imersão rara na sua evolução artística, com masterclasses e encontros, para além dos concertos.
As igrejas de S. Domingos e da Sé vão ecoar, durante três dias de Janeiro, com a obra de um dos nomes mais universais da música clássica. A Orquestra de Macau preparou um ambicioso ciclo intitulado “Homenagem a Mozart”, que conduzirá o público por uma saga cronológica e emocional na criação do compositor austríaco.
A maratona musical inicia-se a 23 de Janeiro, na Igreja de S. Domingos. Sob o tema “Um Génio Divino”, o violinista búlgaro Svetlin Roussev enfrentará o desafio de interpretar numa única noite três dos primeiros concertos para violino de Mozart, nomeadamente, N.º 1, 2 e 4, obras que evidenciam o talento precoce e já formidável do jovem compositor, como esclarece o comunicado do Instituto Cultural (IC).
A viagem prossegue no dia seguinte, 24 de Janeiro, na Igreja da Sé, para o concerto “Espírito Clássico”. O destaque será a estreia em Macau do jovem fenómeno chinês Zhang Aozhe. Com apenas 17 anos e já vencedor do prestigiado Concurso Internacional “Prémio Paganini”, o violinista interpretará o Concerto para Violino N.º 3. A orquestra, por sua vez, fará um contraponto temporal notável. Apresentará a primeira sinfonia de Mozart, escrita aos oito anos, e a intensa Sinfonia N.º 40, mostrando o abismo criativo percorrido entre a infância e a maturidade.
O ponto final do ciclo, a 25 de Janeiro de volta à Igreja de S. Domingos, é reservado para o “Símbolo Eterno”. O violinista Yu-Chien Tseng, oriundo de Taiwan, junta-se à orquestra para o aclamado Concerto final para Violino N.º 5. A noite, e todo o ciclo, culminará com a última sinfonia que Mozart escreveu, a majestosa Sinfonia N.º 41, que leva o nome de “Júpiter”. Também a sua mais longa composição, com um total de 33 minutos, foi criada no Verão de 1788, e destaca-se pelo revolucionário contraponto de cinco melodias no final, técnica influenciada pelos seus estudos de Bach. A alcunha, dada após a morte de Mozart, pelo empresário Johann Peter Salomon, reflecte a sua grandeza, uma qualidade adequada ao “rei dos deuses”, embora Mozart nunca a tenha reconhecido como tal.
Este ciclo oferece um triplo evento para apreciar a genialidade do austríaco, um compositor que começou a compor antes dos seis anos de idade e que, numa vida curta de apenas 35 anos, produziu mais de 600 obras. Os seus cinco concertos para violino, que serão tocados na íntegra, foram todos escritos entre os seus 17 e 23 anos, representando um período de extraordinária criatividade e domínio técnico, que se reflecte na sua complexidade e expressividade, já reconhecida no imaginário da população mundial, tanto entre os amantes da música clássica como dos leigos.
Para além dos palcos, o programa da orquestra inclui uma camada educativa. Antes de cada concerto, a musicóloga Katy Ieong Cheng Ho Weatherly conduzirá uma palestra para contextualizar as obras. Entre 21 e 25 de Janeiro, estão ainda agendadas masterclasses e encontros informais com os músicos, destinados a estudantes e ao público geral que queira aprofundar o contacto com os artistas.
Os bilhetes para cada concerto, com duração prevista entre 60 a 75 minutos, estão disponíveis a 150 patacas através da Bilheteira Online de Macau.
A Temporada de Concertos 2025-26 da Orquestra de Macau, que integra esta iniciativa, conta com a coorganização do IC e o patrocínio dos principais resorts e casinos do território, além do apoio do Banco da China (Macau).











