Os jovens locais apoiam a revitalização dos mercados tradicionais e esperam a introdução de instalações de restauração e lazer nos mercados, refere um inquérito recentemente conduzido pela Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau. Os resultados da pesquisa indicam que a geração jovem quer feiras para ajudar o empreendedorismo juvenil.
A Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau realizou um inquérito acerca das percepções dos jovens sobre os mercados municipais e feiras ao ar livre. O inquérito revela que a maioria absoluta dos entrevistados apoia a revitalização dos mercados tradicionais, e defende também a utilização de terrenos não aproveitados para organizar feiras.
Segundo os resultados, a geração jovem tem um “forte consenso” quanto ao investimento de recursos para revitalizar os mercados tradicionais, com 67,2% dos inquiridos a concordar que o Governo e a sociedade devem alocar mais recursos para renovar os mercados existentes.
A pesquisa foi realizada em Outubro, tendo entrevistado 644 jovens residentes de Macau, com idades entre 18 e 44 anos. Os jovens inquiridos deram em geral uma avaliação positiva sobre os mercados tradicionais de Macau e indicam que se deslocam “frequentemente” aos mercados. Mas, em vez da compra de alimentos frescos, a geração jovem vai ao local para “comer nos centros de comida”.
Neste caso, no que diz respeito às orientações específicas de revitalização, mais de 40% dos entrevistados deram prioridade ao “reforço das normas de higiene ambiental dos mercados”, incluindo resolver o problema das superfícies escorregadias e dos odores. Um terço esperava introduzir espaços multifuncionais que incorporem instalações de restauração e lazer nos mercados, enquanto 29,2% defenderam a modernização das infraestruturas básicas, tais como ar condicionado e elevadores.
“As condições fundamentais de higiene dos mercados tradicionais continuam a ser a principal preocupação do público, enquanto os espaços multifuncionais representam uma aspiração generalizada entre os inquiridos mais jovens para o futuro”, afirmou.
A Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau destacou que os mercados tradicionais, e também as feiras, são “plataformas importantes” para os jovens locais se envolverem com a comunidade, incorporarem ligações culturais e estimularem os gastos dos consumidores.
Os inquiridos mostraram grande vontade de visitar feiras organizadas no território, junto com os amigos (36,3%) e a família (20,3%), para “aproveitar o ambiente descontraído e distinto do local” (32,4%), “provar comida e bebidas de rua” (31,5%) e “procurar produtos únicos e originais” (29,5%).
Quase sete em cada dez inquiridos disseram que apoiam a utilização de terrenos desaproveitados para feiras, embora tenham preocupações relacionadas com o ruído e o tráfego. Quanto aos elementos essenciais para uma feira de Macau ideal, 33,9% acreditam que esta deve incluir um forte apoio a jovens empreendedores e novas marcas, enquanto 32,3% esperam espaços públicos de lazer confortáveis e um ambiente social.
Além disso, 71,1% dos jovens inquiridos concordaram que o Governo deve investir recursos na criação de uma “feira liderada pelos jovens” que reflicta as modas e valores da juventude, enquanto mais de um terço manifestaram vontade de participar nas feiras, como vendedores ou instrutores de ‘workshops’.
APOSTA EM COLOANE
Com base nas conclusões do inquérito, a Associação de Nova Juventude Chinesa de Macau sugeriu que o Governo continue a promover a revitalização dos mercados municipais com introdução de elementos gastronómicos.
Já o Mercado Municipal de Coloane, que encerrou no final do ano passado e o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) está a estudar o seu reaproveitamento, pode ser o local de um projecto-piloto de empreendedorismo juvenil, defende a Associação. “Dada a atmosfera de lazer distinta de Coloane e a escala compacta do mercado, este possui potencial para se transformar num espaço multifuncional que integra serviços comunitários com turismo cultural e criativo”, analisou.
A equipa propôs ainda que sejam criadas feiras amigas aos animais de estimação, o que “não é apenas uma resposta a uma procura de nicho, mas também um importante motor de crescimento para atrair a população jovem local com elevado poder de compra e expandir a base de clientes do mercado”, salientou. A Associação sugeriu introduzir serviços de aluguer de carrinhos para animais de estimação e organizar actividades com temas relacionados para desenvolver a “economia dos animais de estimação” em Macau.











