Mais de mil jovens em Macau receberam apoios relacionados com o vício da Internet e o isolamento social durante a última década. O Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau alerta para a falta de iniciativa das famílias em apresentar pedidos de ajuda, o que dificulta o serviço de intervenção.
O Gabinete Coordenador dos Serviços Sociais Sheng Kung Hui Macau acompanhou, nos últimos dez anos, um total de 1.059 jovens que apresentavam problemas do vício da Internet e do isolamento social, tendo ainda atendido 605 pais das famílias envolvidas.
Segundo o balanço do programa “We-Connect’ Hidden and Internet Addiction Youth Service Project”, lançado pelo Sheng Kung Hui e subsidiado pelo Instituto de Acção Social, foram detectados, até Junho deste ano, 746 jovens com vício da Internet e 313 jovens isolados.
O Sheng Kung Hui, em declarações ao Jornal Cheng Pou, destacou que a falta de iniciativa de pedir ajuda e a mudança de hábitos de vida entre os jovens estão a colocar cada vez maiores desafios ao acompanhamento dos casos.
A análise da associação apontou que muitas famílias demoraram a pedir ajuda, fazendo com que a intervenção nos casos levasse muito mais tempo. “As famílias só procuravam ajuda depois de descobrirem problemas graves de isolamento e do vício da Internet dos seus filhos, que já tinham causado a deterioração das relações familiares e o disfuncionamento das dinâmicas familiares”, explicou.
Além disso, segundo o Sheng Kung Hui, os alunos em Macau possuem muitas vezes telemóveis pessoais “muito cedo” e “sem uma orientação parental eficaz”, e procuravam ajuda apenas quando o desempenho académico era seriamente afectado.
“Nos casos, os jovens apresentam sofrimento emocional e até os seus próprios pais manifestam grande necessidade de apoio emocional”, observou o Sheng Kung Hui, acrescentando que os jovens podem ainda desenvolver resistência a aconselhamentos de terceiros e passar por conflitos com a família, mostrando assim a urgência dos serviços de intervenção.
A cultura da Internet está também a influenciar profundamente as aspirações de vida, os padrões de consumo e os conceitos familiares da nova geração de jovens, defendeu a análise do Sheng Kung Hui.
Acrescentou que a Internet está intimamente ligada à vida quotidiana dos jovens em Macau e, devido ao uso generalizado de dispositivos móveis, os padrões de entretenimento e socialização dos jovens passaram da tradição de “sair para socializar” para “ficar em casa e interagir online”.
A organização constatou que a falta de socialização e a forte adesão à Internet estão ainda relacionadas com as mudanças do ambiente da sociedade, incluindo “as mudanças do mercado de trabalho juvenil e da visão do mundo, como o desenvolvimento crescente de áreas profissionais emergentes, onde os interesses pelo mundo digital podem ser convertidos em recompensas económicas, como nas profissões de influencers, YouTubers e jogadores de vídeos jogos”, salientou.
Nesse sentido, o Sheng Kung Hui pretende desenvolver serviços mais centrados nos jovens, planeando aumentar a frequência de organização de actividades ao ar livre e desportivos, para fortalecer os laços emocionais com os jovens através da sua participação nas actividades.
A associação revelou que vai ainda expandir o apoio aos pais, incluindo aumentar os canais de divulgação de conhecimentos e conselhos sobre o vício da Internet e o isolamento dos jovens.
O Sheng Kung Hui apela ainda para os necessitados tomarem a iniciativa de procurar ajuda. De acordo com o programa da associação, os destinatários do serviço são crianças e adolescentes em Macau, com idades compreendidas entre 10 e 24 anos, e as suas famílias.
Neste caso, segundo o Sheng Kung Hui, os jovens com vício da Internet são jovens que “passam muito tempo envolvidos em actividades online, afectando as suas emoções pessoais, os seus estudos ou trabalho e as suas relações familiares”. Já os jovens isolados referem-se a jovens que “ficam frequentemente em casa, pelo menos um mês, ou não participam ou interrompem actividades sociais, ou têm falta de comunicação com a sociedade”.











